Abro a porta e entro na casa escura. Procuro o interruptor de luz com a mão trêmula, encontrando-o na lateral da parede. Quando finalmente o aciono, a lâmpada pisca duas vezes antes de iluminar aquele ambiente desconhecido — um tipo de claridade fria, que mais parece hospitalar. Assim que a luz acende, fecho a porta atrás de mim e escuto, imediatamente, a fechadura girar por conta própria. O clique ecoa pela casa vazia como um aviso silencioso.
Coloco as chaves do carro na mesa logo ao lado da porta, junto do pedaço de papel com o código de entrada, que enfio no bolso para não perder. O silêncio é tão pesado que parece ocupar espaço físico, empurrando meus pensamentos para todos os cantos.
Dou alguns passos lentos adentrando a casa. A atmosfera é estranha, quase irreal. O ar abafado, parado… o tipo de cheiro que uma casa tem quando ninguém mora nela — poeira, madeira velha, comida esquecida. E a confirmação está bem ali, na frente dos meus olhos: a sala é um amontoado de móveis sem vi