Eu só consigo respirar de verdade quando finalmente desabo no banco do motorista, trancando a porta com tanta pressa que quase quebro o botão. Minhas mãos tremem tanto que pareço uma criança tentando segurar água entre os dedos. Meu peito sobe e desce como se eu tivesse corrido uma maratona. Só aí, com o cheiro conhecido do estofado e o volante velho sob os meus dedos, é que a ficha cai.
Eu fiz isso.
Eu realmente fiz isso.
Eu escapei.
É estranho e desesperador perceber como a liberdade pode ser feliz e dolorosa ao mesmo tempo. É como arrancar um curativo grudado demais na pele. Por um lado, quero gritar de alívio. Por outro, meu corpo inteiro treme sabendo que, em questão de minutos, talvez segundos, Luciano vai perceber que eu sumi.
E quando ele perceber…
Ele vai mover céu e inferno para me encontrar.
Eu sei disso tão bem quanto sei que meu coração está dando pulos dentro do peito.
Antes de mexer nas coisas, deixo minhas mãos deslizarem até minha barriga.
Plana.
Normal.
Sem nenhum si