Luciano não voltou para casa naquela noite. Nem na seguinte.
E também não ligou.
Ou, se ligou, não foi para mim.
Não para falar comigo.
Não para dizer onde estava.
Não para explicar nada.
E eu fico ali, esses dias inteiros, sentada com minha própria cabeça me torturando, criando mil cenários para tentar entender o que diabos levou ele a assumir os cuidados do meu pai. Por quê? O que isso significa? O que ele quer com isso? Por que esconder isso de mim? Por que não olhar nos meus olhos e simplesmente falar?
E quanto mais penso, mais isolada eu me sinto. Sozinha. Trancada nesse castelo enorme que não é meu, cercada de gente que não posso chamar de família. Quando peço para ligar para minha irmã, Ana só me olha daquele jeito… aquele olhar de pena que eu odeio. E diz que eu tenho que perguntar ao Luciano.
E dá vontade de gritar.
Como eu vou perguntar pra ele se ele simplesmente sumiu?!
É cruel. É sufocante. É como se tudo ao redor estivesse girando e eu ficasse presa no mesmo ponto, sem