Capítulo 123

Eu continuei caminhando ao lado da Charlotte, mas parecia que meu corpo estava ali e minha cabeça tinha ficado presa naquele momento, naquele jardim, naquela frase que ainda doía como se tivesse sido dita com ferro quente.

“Ele assumiu os cuidados do seu pai.”

Aquelas palavras ficavam batendo dentro de mim como uma porta mal fechada batendo contra o vento. Eu tentava responder alguma coisa, tentava agir normal, mas era como se tudo que eu pensava estivesse enevoado, confuso demais. Eu não sabia se queria voltar pra casa e exigir respostas ou se queria fugir pra outro país.

Charlotte percebeu. É claro que percebeu. Ela parou de andar, apertou meu braço de leve e disse com a voz mais suave do mundo:

— Rosália… respira.

E eu respirei. Pelo menos tentei.

Seguimos andando devagar, e uma parte de mim sabia que eu precisava ouvir o resto do que ela estava tentando me contar, mesmo que doesse, mesmo que eu quisesse enfiar os dedos nos ouvidos e fingir que nada daquilo era real.

— Eu não queri
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