A exaustão me atinge como um caminhão desgovernado no exato segundo em que passo pelos portões da mansão. É aquele tipo de cansaço que não vem só do corpo — vem da alma, da cabeça, do coração que já apanhou demais para continuar batendo como se nada tivesse acontecido. Eu sinto o peso disso tudo nos meus ossos, como se cada passo estivesse arrancando um pedaço de mim.
A nova facada que levei da minha própria irmã ainda está queimando. Uma ferida aberta, latejando, lembrando que ninguém, absolutamente ninguém, é digno da minha confiança. É como se alguém tivesse arrancado algo de dentro de mim e deixado só o eco, só o buraco vazio. E eu estou andando com esse buraco dentro do peito, tentando fingir que ainda sou inteiro.
Eu quero dormir. Dormir e esquecer que existo. Só isso. Um segundo de paz. Um minuto de silêncio dentro da minha cabeça.
Rosália deve estar lá em cima…
E o simples pensamento dela me invade como um alívio momentâneo. A imagem dela deitada, suave, quente, respirando