Capítulo 106

— Irmã?

A voz da Felicia chega baixinha, tímida, quase pedindo permissão para existir ali. Ela permanece parada na porta, segurando uma mão na outra, os dedos entrelaçados com tanta força que chegam a ficar brancos.

Ela tá do jeito que eu imaginava que estaria: DESTRUIDA. Tem algo no jeito dela entrar no ambiente que já entrega a culpa antes mesmo de qualquer palavra. E isso por si só já é suficiente pra me deixar com um nó no estômago. Eu só não sei se estou preparado para ouvir tudo o que ela tem a dizer.

— Entra. Senta. Falo, tentando controlar o tom, mas minha voz ainda assim soa dura, cortante.

Felicia dá alguns passos, meio engessada, como se cada movimento do corpo dela denunciasse o peso do que carrega. Ela se acomoda na cadeira em frente à minha mesa. Mesmo tendo se arrumado como pôde, ainda parece fora de si. O cabelo, normalmente impecável, está solto demais, desgrenhado, caindo como uma cortina preta ao redor do rosto. As olheiras profundas deixam claro que ela não dormiu
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