Assim que Francisco sai, o escritório cai num silêncio pesado, daqueles que grudam no ar e deixam a gente respirando mais devagar. Eu fico olhando para a porta aberta, pensando na Felicia correndo como se o chão estivesse pegando fogo. Pensando em tudo o que ela disse… e no tanto que ela não disse.
E é aí que o nó na minha garganta aperta.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, existe a possibilidade real de que alguém do meu próprio sangue esteja jogando contra mim. Dentro da minha casa. Dentro da facção. E essa possibilidade… essa possibilidade me destrói.
Eu poderia ter ido atrás dela.
Poderia ter exigido as respostas.
Poderia obrigá-la a falar. Eu sei métodos. Métodos que aprendi ainda criança.
Mas só de pensar nisso, a imagem do meu pai me atravessa como um soco.
Eu não quero ser ele.
Não com ela.
E, ao mesmo tempo, não posso deixar meu julgamento ser guiado apenas por sentimento. Isso custa vidas. Já custou antes. Custou o meu próprio sangue.
Eu solto um suspiro longo e me le