Os lábios de Luciano se apertam numa linha fina, dura, e meu peito se fecha. Dá vontade de gritar que não fui eu. Que jamais tentaria matar o próprio marido. Pelo amor de Deus… ele não pode acreditar nisso. Ele não pode achar que eu seria capaz de tocar num fio de cabelo dele.
— As sandálias, diz Benito, quebrando o silêncio. Minha esposa estava usando o mesmo par que aparece na filmagem de segurança, mas esses aqui não são os sapatos com os quais ela saiu de casa. São as sandálias da sua esposa.
Meu coração despenca.
— Meu Deus… Levo a mão à boca, sentindo um choque quente percorrer meu corpo inteiro. As lágrimas brotam tão rápido que chegam a arder. É como respirar depois de muito tempo debaixo da água.
Luciano fica totalmente imóvel, igual a uma estátua. Só os olhos dele se movem, calculando tudo. A respiração dele muda, mais pesada, como se o mundo tivesse acabado de virar do avesso.
Ele finalmente se inclina para frente, mãos nos joelhos.
— Suas sandálias? Pergunta, olhando pra