Luciano mantém uma das mãos firmemente enrolada ao redor do meu braço enquanto descemos as escadas, como se ele precisasse sentir minha pele presa à dele para impedir que algo ou alguém me levasse dali. Seu toque é duro, possessivo, rígido… mas, por um instante insuportavelmente frágil, eu percebo que aquela força toda é a forma torta dele demonstrar afeto.
O único tipo de afeto que um homem como Luciano Bonanno sabe oferecer.
É quase… a maneira dele de segurar minha mão.
Quase.
Eu sinto um sorriso ameaçar surgir nos meus lábios.
Quase um sorriso de ternura, de ironia, de algum sentimento confuso e proibido.
Mas Luciano parece tão perturbado, tão ausente, tão afundado em algum pensamento que eu não alcanço, que eu engulo o sorriso antes que ele exista.
Paro no meio da escada. Ele franze o cenho, preparado para perguntar o que estou fazendo antes que isso aconteça, eu me desvencilho lentamente e, sem pensar duas vezes, entrelaço meus dedos aos dele.
O mundo para.
Luciano congela por