Capítulo 102

Luciano mantém uma das mãos firmemente enrolada ao redor do meu braço enquanto descemos as escadas, como se ele precisasse sentir minha pele presa à dele para impedir que algo ou alguém me levasse dali. Seu toque é duro, possessivo, rígido… mas, por um instante insuportavelmente frágil, eu percebo que aquela força toda é a forma torta dele demonstrar afeto.

O único tipo de afeto que um homem como Luciano Bonanno sabe oferecer.

É quase… a maneira dele de segurar minha mão.

Quase.

Eu sinto um sorriso ameaçar surgir nos meus lábios.

Quase um sorriso de ternura, de ironia, de algum sentimento confuso e proibido.

Mas Luciano parece tão perturbado, tão ausente, tão afundado em algum pensamento que eu não alcanço, que eu engulo o sorriso antes que ele exista.

Paro no meio da escada. Ele franze o cenho, preparado para perguntar o que estou fazendo antes que isso aconteça, eu me desvencilho lentamente e, sem pensar duas vezes, entrelaço meus dedos aos dele.

O mundo para.

Luciano congela por
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