LARA
Fico olhando para o celular como se a tela fosse uma armadilha. A mensagem está ali, fixa, imóvel, mas é como se tivesse vida própria. Como se me observasse de volta.
Filha, precisamos conversar. Eu nunca quis te deixar.
Duas frases. Quatro palavras que me pertencem, outras sete que tentam justificar uma ausência que nunca foi explicada. O número é desconhecido. Sem foto. Sem nome. Mas o impacto... esse tem identidade.
— Dorian — murmuro, quase sem voz.
Ele se aproxima devagar, como se sou