LARA
A neve cobre tudo.
Como se o mundo inteiro tivesse sido apagado e reescrito em branco.
Quando descemos do jatinho, um carro preto nos espera na pista gelada, com o vidro embaçado por dentro e o aquecedor ligado. O motorista — um homem calado de olhar gentil — se limita a cumprimentar Dorian com um aceno respeitoso, antes de abrir a porta traseira para que eu entre. Ele não me chama de senhora Vega. Nem de nada. Só me observa com aquele tipo de silêncio que parece entender mais do que diz.