Eu comi.
O orgulho grita, mas a fome fala mais alto. Raspei o prato de barro com a mão suja mesmo, empurrando o beiju e a carne pra dentro até não sobrar farelo. Eu ia precisar de força pra correr ou pra apanhar. Barriga vazia não ajuda em nenhuma das duas coisas.
Limpei a boca na manga da blusa e empurrei o prato pro canto.
Voltei pra cama e sentei no colchão duro.
A sombra debaixo da porta continuava lá. Imóvel.
O cadeado de latão estalou. A chave girou no metal. A porta pesada de cedro