O maço de dinheiro amassado na gaveta da cozinha foi o suficiente pra convencer Dona Margarete a ficar. Menti olhando direto no olho dela. Falei que ia pro ramal do Tarumã catar um cipó forte pra quebrar a febre da Nair. Ela fez o sinal da cruz, pegou as notas sujas de terra, enfiou no sutiã e puxou a cadeira de plástico pra perto da cama. Eu fui pro meu quarto, peguei a mochila velha de lona, enfiei uma garrafa de água e a faca de caça dentro. A bainha de couro já tava gasta, mas a lâmina eu mesma amolava na pedra do quintal. Saí batendo o portão devagar, sem olhar pra trás outra vez. Se eu olhasse pra velha afundada naquele colchão, não ia conseguir sair. A pedra preta tava no bolso da minha calça jeans. O caminho inteiro, sacolejando num ônibus de linha de bairro, ela queimou sem parar. Não chegava a ferver a pele, mas incomodava. Igual celular quente dentro do bolso. Cada buraco no asfalto fazia a pedra bater na minha coxa. Tum-tum. Tum-tum. Eu passava a mão por cima do je
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