Mundo de ficçãoIniciar sessãoThomas é experiente, ele lê as pessoas como se fossem livros abertos.
Ele me puxa para um grande sofá, grande o suficiente para acomodar nós dois. Seus lábios se tornam exploratórios e eu gemo sem vergonha nenhuma. Quando ele me penetra, devagar, os olhos cravados nos meus, eu vejo uma sombra de surpresa cruzar seu rosto. Com certeza ele achava que eu era virgem, pois minhas roupas são bem recatadas e sou bem nova. Mal sabe ele que já carrego uma história de dor que ele não conhece. Ele acelera o ritmo, seus movimentos tornando-se mais profundos, mais possessivos. Ele me beija com uma doçura que me quebra por dentro, enquanto seus sussurros continuam a preencher o silêncio do escritório. — Relaxa, Maya... O prazer começa a subir como uma maré, sufocando o medo, apagando o trauma. Eu me movo com ele, seguindo o ritmo que ele dita, perdendo a noção de onde eu começo e onde ele termina. O sofá range sob nossos corpos, o cheiro de couro e perfume masculino me embriagando. Eu sou dele. Naquela sala, cercada pelos símbolos do seu poder e controle, eu me entrego ao único homem que conseguiu me fazer esquecer que eu deveria ter medo. O clímax nos atinge como uma explosão silenciosa. Eu grito o nome dele contra o seu ombro, sentindo cada músculo do seu corpo se contrair enquanto ele se derrama em mim. Ficamos ali por um longo tempo, o único som sendo nossas respirações pesadas e o zumbido do ar-condicionado. Thomas esconde o rosto no meu pescoço, apertando-me com uma força que diz mais do que qualquer palavra. Por alguns segundos, nenhum de nós fala. O ar-condicionado continua zumbindo ao fundo. A cidade segue viva atrás das paredes de vidro, mas parece estar a quilômetros de distância. Thomas permanece ao meu lado no sofá. Sem pressa. Sem se afastar. Sem aquela postura impenetrável que ele usa no escritório. Pela primeira vez desde que o conheci, ele parece apenas um homem cansado. Um homem que passou tempo demais lutando contra alguma coisa. Os dedos dele deslizam devagar pelos meus cabelos, afastando uma mecha do meu rosto. Um gesto simples. Terno. Quase íntimo demais. — Você está bem? — pergunta baixinho. A pergunta me pega desprevenida. Porque não é sobre ele. Não é sobre o que acabou de acontecer. É sobre mim. Eu assinto. Mas Thomas continua me observando como se soubesse que estou mentindo. — Não precisa fugir agora. Meu peito aperta. Porque ele não está falando do escritório. Nem daquela noite. Está falando de mim. Desvio o olhar. E ele não insiste. Apenas pega minha mão e deposita um beijo leve nos meus dedos. Sem exigências. Sem promessas.Sem cobranças.
Por um instante perigoso, tudo parece simples. Seguro. Possível. E é justamente isso que me assusta. Porque homens como Thomas Albuquerque não entram na vida de alguém para ocupar um espaço pequeno. Eles mudam a paisagem inteira. E, enquanto ele me abraça contra o peito e apoia o queixo sobre minha cabeça, percebo que a parte mais perigosa daquela noite não foi me entregar. Foi gostar da sensação de permanecer. Foi gostar da sensação de estar ali. Com ele. E ele sabe que algo mudou. Ele sabe que, a partir de agora, não há mais volta. E pelo silêncio dele, me olhando agora, percebo que ele não tem a menor intenção de me deixar partir. Mas a sensação de segurança se desfaz tão rápido quanto surgiu. Um calafrio percorre minha espinha, e não é do ar-condicionado. É o medo, o velho conhecido, rastejando de volta, sussurrando que estou prestes a cometer o mesmo erro. A intensidade de Thomas, que há pouco era um bálsamo, agora parece uma armadilha. Sinto o pânico subir pela garganta, um nó apertado que me impede de respirar. Não posso ficar. Não devo ficar. Me afasto abruptamente, quase empurrando-o. Ele me solta, os olhos escuros fixos nos meus, uma mistura de surpresa e algo que não consigo decifrar. Culpa? Decepção? Não importa. Preciso sair daqui. Minhas mãos tremem enquanto tento abotoar a blusa de seda, os dedos desajeitados. Cada botão parece uma eternidade. Sinto o olhar dele queimando em mim, mas não consigo encará-lo. A vergonha e o arrependimento me consomem. — Maya? — A voz dele é baixa, controlada, mas sinto a pergunta não dita por trás dela. O que está acontecendo? Por que você está fugindo? Não respondo. Não consigo. — Ei… — a voz dele falha um pouco agora. — Maya… está tudo bem...... Olha pra mim… por favor. Pego minha bolsa e o paletó que ele havia descartado, quase tropeçando nos meus próprios pés. Minha mente grita para correr, para me afastar o mais rápido possível. A porta do escritório parece a única saída, a única forma de escapar dessa sensação sufocante de que estou perdendo o controle novamente. — Eu... eu preciso ir — consigo balbuciar, a voz embargada. Evito o contato visual, meus olhos fixos em qualquer ponto que não seja ele. A cada passo em direção à porta, sinto o peso do seu olhar nas minhas costas, uma pressão invisível que me impulsiona ainda mais rápido. Abro a porta e saio para o corredor, o ar frio do prédio me atingindo como um choque. Não olho para trás. Não posso. Se eu olhar, sei que vou ceder. E ceder agora seria o meu fim. Corro para o elevador, apertando o botão repetidamente, como se a pressa pudesse apagar o que acabou de acontecer. As portas se abrem, entro e, finalmente, respiro. Mas o ar ainda parece pesado, impregnado com o cheiro dele, com a lembrança do seu toque, com o eco dos meus próprios gemidos. O elevador desce, levando-me para longe de Thomas, mas não para longe de mim mesma e do labirinto de medos que ele despertou.






