Mundo de ficçãoIniciar sessãoFoi uma noite comum. Ou deveria ter sido. A equipe inteira já tinha ido embora. O escritório estava quase vazio, o silêncio quebrado apenas pelo teclar do meu computador e o zumbido distante do ar-condicionado. Eu terminava alguns contratos atrasados, enquanto a cidade brilhava através das paredes de vidro da sala de reuniões, um mar de luzes que se estendia até o horizonte.
Thomas apareceu carregando dois cafés, o vapor quente subindo em espirais no ar frio do escritório. — Você ainda está aqui. — Você também. — Sou o dono. — E eu sou a funcionária explorada. Ele sorriu. E aquele sorriso nunca foi simples. Era raro demais para ser inocente, controlado demais para ser espontâneo. Havia nele uma calma perigosa, quase cruel, como se Thomas soubesse exatamente o estrago que podia causar e escolhesse, ainda assim, mostrar apenas uma fresta de si. Em segredo, eu o chamava de Thomas Shelby, de Peaky Blinders. Não pela aparência, mas por aquela frieza elegante de homem que parecia calcular até o próprio silêncio. E justamente por isso parecia mais íntimo, mais verdadeiro, mais devastador. Era um sorriso que desarmava minhas defesas, que me fazia esquecer por um instante o medo que ele inspirava. O silêncio que veio depois foi estranho, pesado, diferente. Quando percebi, ele estava perto demais. E eu não me afastei. Esse foi o problema. Eu não me afastei. Durante anos, eu tinha imaginado aquilo, negado aquilo, escondido aquilo. Mas, naquele momento, meu corpo simplesmente esqueceu como fugir. — Você deveria ir para casa. — Você também. — Eu moro sozinho. — Que tragédia. — É mesmo. Ele me estende o café e eu aceno um não. Thomas solta o café sobre a mesa de carvalho sem desviar os olhos dos meus. O som abafado do copo batendo na madeira é o último vestígio do mundo real. Os olhos de um azul céu nos meus me hipnotizaram e o beijo acontece. O beijo acontece devagar, sem planejamento, sem lógica, sem permissão. E é exatamente isso que me apavora. Porque não havia dúvida, não há arrependimento, não há erro, mas reconhecimento. Minhas mãos, que deveriam me empurrar para longe, traem minha mente e se enroscam no colarinho da camisa dele, puxando-o para mais perto, como se minha vida dependesse daquele contato. Ele me envolve, suas mãos grandes e firmes descendo pelas minhas costas até pararem na curva da minha cintura, apertando-me contra o seu corpo sólido. Um gemido baixo escapa da minha garganta, um som que eu não reconheço como meu, carregado de uma fome que eu vinha sufocando há um ano. — Maya... — ele sussurra contra minha boca, o hálito quente com cheiro de café e desejo. Eu sou louca por ele. A percepção me atinge com a força de um soco enquanto ele me conduz, sem romper o beijo, em direção ao sofá de couro escuro que fica no canto do escritório. Meus pés mal tocam o chão; sinto-me flutuando, entregue a uma força gravitacional que ele exerce sobre mim. Quando minhas costas encontram o couro frio, o contraste com o calor do corpo dele me faz estremecer. Ele se posiciona entre minhas pernas, os olhos fixos nos meus com uma intensidade predatória e, ao mesmo tempo, protetora. Suas mãos sobem, os polegares traçando o contorno do meu rosto antes de deslizarem para o meu pescoço. Ele se inclina, aproximando os lábios da minha orelha, e o arreio que percorre meu corpo é quase doloroso de tão intenso. — Você não tem ideia do quanto eu imaginei você aqui — ele sussurra, a voz rouca, vibrando contra minha pele. — Do quanto eu quis sentir o seu cheiro, o seu gosto... Seus dedos começam a abrir os botões da minha blusa de seda. Minha respiração está curta, errática. Eu não sei como agir, não sei como conduzir isso, mas meu corpo parece ter uma memória própria, uma sede que ignora minha inexperiência em lidar com alguém como ele. Quando a blusa se abre, ele não hesita. Seus lábios descem pelo meu pescoço, encontrando o ponto pulsante na minha jugular, enquanto suas mãos exploram minha pele com uma reverência que me faz sentir a mulher mais desejada do mundo. Eu me sinto perdida, mas é um perdido bom. Minhas unhas cravam nos ombros dele, sentindo a musculatura tensa sob o paletó que ele logo descarta. Quando ele se livra da própria camisa e volta para mim, o contato pele com pele me faz soltar um suspiro alto. Ele para por um segundo, observando-me, e eu vejo o momento exato em que ele percebe minha entrega total.






