Voltar ao trabalho. Voltar ao controle. Voltar a ser apenas Maya — a versão que não treme por dentro com lembranças que não deveriam ter espaço aqui.Mas não importa o quanto eu me concentre, uma parte de mim permanece presa no intervalo entre ontem e agora.E esse intervalo, infelizmente, não para de crescer dentro de mim.O toque do telefone me sobressalta. Atendo com uma agilidade exagerada, a voz soando mais estridente do que pretendo. É um fornecedor, falando sobre prazos, mas eu não absorvo nada. Minhas palavras saem ensaiadas, robóticas, mecânicas. Enquanto finjo escutar, meus olhos, traidores, buscam involuntariamente a parede de vidro do escritório dele.Ele está lá. Thomas não trabalha; ele comanda. Ocupa a cadeira de couro com uma naturalidade que beira a insolência. Ele não olha para mim — não agora. Está curvado sobre algum papel, a mão forte apoiada na testa, a sombra da barba por fazer desenhando uma linha de cansaço que, estranhamente, o deixa ainda mais perigoso.Sint
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