Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu era apenas uma garota invisível, uma auxiliar no maior estúdio de publicidade e fotografia da cidade. Na Vértice, ninguém me olhava, a não ser para me pedir um café ou buscar um figurino de última hora. Para eles, meu corpo e meus sonhos não passavam de ruído de fundo. Até que o Aura surgiu. O aplicativo me deu a chance de ser quem eu nunca pude mostrar. Sob o codinome de Pimentinha, eu me tornei uma mulher empoderada e sexy, escondida atrás de uma ilusão de mulher magra, uma voz modificada e uma personalidade audaciosa que ninguém nunca ousou conhecer. Foi por lá que eu encontrei o dono dos meus pecados. O homem que desperta minhas ações mais insanas e mexe comigo como ninguém jamais conseguiu. Ele é o meu Lobo. O problema? O Aura funciona em um raio pequeno de localização. A cada notificação, meu coração dispara em pânico: ele pode ser o dono da cafeteria onde paro todas as manhãs, um fotógrafo do estúdio ou, pior... um dos meus chefes. Esse mistério é posto à prova a cada segundo que falo com ele, a cada comando que obedeço no escuro do meu quarto. O cerco está se fechando, e agora a minha maior fantasia se tornou o meu maior medo. Porque, enquanto o Lobo me caça entre as sombras, eu só consigo pensar em uma coisa: O que será de mim quando a máscara cair e ele descobrir que a deusa das suas noites é a garota que ele nem nota durante o dia? ....
Ler maisSe o inferno fosse decorado por um designer de interiores minimalista e tivesse cheiro de perfume importado, ele seria a Vértice Concept.
Sério, o lugar é um hospício de luxo. Tem modelo chorando porque o café não é descafeinado, produtor gritando no telefone com Paris e o barulho de click, click, click das câmeras que nunca para. E no meio desse furacão de gente linda e magra, estou eu: Elisa, 22 anos, mestre em: "fazer milagre com pouco orçamento" e a auxiliar oficial de tudo o que ninguém quer carregar. Eu trabalho bem ali, na "zona de guerra", colada na sala da diretoria. É o meu cantinho. Eu sei exatamente como o Nikos gosta do espresso dele: curto, sem açúcar e na temperatura que derrete o juízo de qualquer um. — Elisa! Cadê o meu combustível? A voz dele ecoou pelo corredor, vibrante, cheia de uma energia que parece que o cara nunca dorme. Lá vem ele. Nikos Santorini. O dono do circo todo. Ele é aquele tipo de homem que entra na sala e o oxigênio parece que decide ir todo para o pulmão dele. Extrovertido, galanteador e perigosamente educado. Ele dá bom dia até para as plantas, e as plantas provavelmente florescem só de vergonha. — Aqui, Nikos. Curto, forte e perigoso, do jeito que você pediu. brinquei, entregando a xícara enquanto tentava ignorar o modo como ele me olhou, um "obrigado" rápido antes de ser engolido por três modelos da agência Elite que pareciam querer devorar ele vivo. Ele é cobiçado, né? Óbvio. Eu sou só a Elisa que traz o café. A "plus size" que elas fingem que é parte do cenário, tipo um vaso de planta que ninguém lembra de regar. — Ei, Lis! Trouxe algo para a minha assistente favorita. Uma mão pousou no meu ombro. Era o Domenico. Se o Nikos é o sol, o Domenico é a lua cheia: calmo, fotógrafo incrível e o único homem nesse prédio que realmente me enxerga. Ele tirou um bombom de avelã do bolso do colete e me deu uma piscadinha. Meu coração deu aquele pulinho idiota. Será? Não, Elisa, foca. Mas o clima hoje estava estranho. No meio da correria, o assunto não era a campanha da Vogue. Era o tal do AURA. — Amiga, você não entende! ouvi uma das modelos dizer, rindo enquanto olhava o celular. — O cara é um gato nas palavras, mas o app não deixa ver a cara. Imagina se eu dou match com um feio? Credo! — Mas o mistério é que é o tchan, né? a outra respondeu. — Até o Nikos e quase todos os homens desse prédio, dizem que baixou. Tá viral, e eu até achei legal, muda até nossa voz. O Nikos? O cara que tem o catálogo da Victoria's Secret na palma da mão, procurando alguém no anonimato? Aquilo acendeu uma luzinha na minha cabeça. Se o Nikos estava lá... se todo mundo estava lá... talvez eu pudesse ser alguém além da "menina do café". Quando o estúdio entrou naquela pausa frenética para o almoço, eu me enfiei num canto do estoque de lentes. Coração batendo na garganta, baixei o ícone roxo neon. “Bem-vinda ao Aura. Aqui, a aparência é o que menos importa. Quem é você de verdade?” Respirei fundo. Eu não ia colocar que era a auxiliar humilhada da Vila Olímpia. Eu ia ser fogo puro. Nome de usuário: Pimentinha. 🌶️ ... O relógio marcava 23:45. O silêncio do meu quarto no Jabaquara era o oposto do barulho ensandecido da Vértice Concept. Estava deitada, com a luz do abajur baixa, o celular pesando na mão e o fone de ouvido enterrado nos ouvidos. Eu tinha configurado meu avatar sonoro como "Voz Velvet". No app AURA, eu não era a Elisa que pedia desculpas por ocupar espaço. Eu era a Pimentinha. De repente, a tela brilhou. Um ícone de um lobo estilizado pulsava em roxo neon. [LOBO quer iniciar uma conexão por voz. Aceitar?] Meu coração quase saltou pela boca. Apertei o "Sim" com o dedo trêmulo. — Olá, Pimentinha... A voz que veio pelo fone era profunda, vibrante, mas processada pelo app. Parecia um veludo eletrônico. — Achei que você ia me deixar no vácuo. Eu soltei um risinho, e o app transformou meu riso em algo cristalino e misterioso. — Eu estava decidindo se você era perigoso demais para uma terça-feira à noite, Lobo. — Eu sou inofensivo... ele mentiu, e eu pude sentir o sorriso dele através da distorção digital. — Só estou cansado de gente que só fala de aparências. Queria ouvir alguém que... que parecesse real. — Então... Você achou a pessoa certa. Lógico... Uma plus que mal olhavam naquela empresa enorme, cheia de mulheres fúteis, que usam a aparência como maior arma, é claro... Perfeita para falar de algo mais real que eu impossível. A conversa fluiu com uma facilidade que me assustou. Começamos falando sobre a nova música do The Weeknd, e ele riu quando eu disse que o café era a única coisa que impedia o mundo de entrar em colapso completo. Nós compartilhamos o desdém por conversas vazias e pessoas superficiais. Eu estava começando a me sentir... confortável. Poderosa. Pela primeira vez na vida, eu estava sendo desejada pelo que eu era, não pelo meu manequim. De repente, a pergunta dele me pegou de surpresa. — Me diz uma coisa, Pimentinha... você já conheceu alguém desse app na vida real? Já falou com outra pessoa por aqui? A voz dele estava mais baixa, íntima. — Tipo... um match que saiu da tela e virou um rosto? Prendi a respiração. A regra do app era clara: o anonimato é sagrado até que ambos decidam o contrário. Entrar no jogo de gato e rato a procura do seu parceiro. — Não... respondi, minha "Voz Velvet" soando mais sincera do que eu gostaria. — Eu entrei recente. Você... você é o primeiro com quem eu aceito falar por voz. Do outro lado, ouvi um som que parecia um sorriso distorcido. — Percebi... Suas conversas são diferentes. Como assim diferentes? O que ele quis dizer com isso? — Diferentes? Esperei ansiosa pela resposta. — Não faz ideia do que as pessoas fazem por aqui não é? Eu... garanto, não falam de café ou músicas. Corei ao entender. Então ... Elas falavam de sexo é isso? — Ok... Entendi. Ele rir me causando uma queimação no meio das pernas. Era rouca, gostosa. Será que a voz dele é assim na vida real? — Mas ser seu primeiro aqui é ótimo, Pimentinha. É realmente ótimo. Ele fez uma pausa proposital, carregada de intenção. — Eu também não falei com muitas aqui. Soltei um risinho curto, cheio de um sarcasmo que eu nunca teria coragem de usar no estúdio. — Ah, sim, eu imagino, Lobo. É claro que você só fala comigo. Um lobo solitário, totalmente focado em mim. Ele soltou uma gargalhada distorcida pelo filtro, um som que vibrou nos meus ouvidos. — Você não acredita? ele perguntou, se divertindo com o meu ceticismo. — Meio difícil. Tendo que na minha localização, os homens ao meu redor nenhum falaria só com uma mulher. Respondi revirando os olhos no escuro. — Com uma voz dessa? Você deve ter uma alcateia de "Pimentinhas" no seu chat. — Pimenta, só você. Já vi algumas amoras, moranguinho, gatinha, pantera Mas... eu gostei de você. ele sussurrou, e a palavra "gostei" soou perigosa e deliciosa. — Achei o seu papo... autêntico. Podemos ficar conversando? Só eu e você? Me diz, Pimentinha... do que você gosta? O que te faz sentir viva? Meu coração estava a mil. Eu queria contar para ele sobre o meu amor por fotografia, sobre a Vértice, sobre como eu odiava as modelos... Mas eu não podia. A conexão estava tão forte, a intimidade estava tão real, que eu quase esqueci as regras. A impulsividade me dominou. — Sabe, Lobo... meu nome de verdade é El... SILÊNCIO. A chamada ficou muda por três segundos. Um alerta saltou na tela em letras vermelhas: [CUIDADO! TENTATIVA DE REVELAÇÃO DETECTADA. CONTA SOB OBSERVAÇÃO.] A tensão no quarto era palpável. Eu quase arruinei tudo. Do outro lado, ouvi o Lobo soltar uma gargalhada distorcida pelo filtro. — Quase, Pimentinha! O Aura é um vigilante ciumento. Ele não quer que a gente se estrague com nomes. Por que a pressa? Eu já sinto que te conheço mais do que as outras mulheres que já falei. Senti meu rosto queimar de vergonha. — Me diz... Quer provar um pouco do que esse APP é capaz de fazer com você através de mim?! ....O QG da Vértice Concept estava em polvorosa. A seleção de modelos para a campanha "AURA" atraiu uma fila que dobrava o quarteirão. No centro de tudo, Domenico ajustava os refletores com uma agilidade impressionante. Ele parecia mais disposto do que na reunião, embora seus olhos ainda tivessem aquele brilho de quem passou a madrugada acordado. Me aproximei dele com uma prancheta de marcação de horários. — Nenhum bombom hoje, Dom? brinquei, tentando aliviar a tensão que ainda sentia desde a conversa na sala do Nikos. Ele parou o que estava fazendo e me deu aquele sorriso de canto que sempre me desarmava. — Puxa, Elise... eu deixei você mal acostumada, não deixei? Ele inclinou a cabeça, os olhos brilhando. — Você tem que me agradar também, loirinha. O que eu ganho em troca hoje? Senti minhas bochechas esquentarem. Antes que eu pudesse responder, o celular no bolso dele vibrou. O gesto dele foi imediato: ele largou o cabo do refletor e sacou o aparelho, os olho
ELISE: Nikos se virou e caminhou até o centro do QG, chamando a atenção de todos os funcionários que trabalhavam nos andares abertos. — Atenção todos! A voz dele ecoou pelo estúdio. — Iniciamos hoje a campanha 'AURA'. Quero foco total no mistério. E lembrem-se: o código de conduta sobre relações internas será aplicado com rigor. Voltando ao trabalho! Ele passou por mim, o perfume amadeirado me atingindo em cheio, e por um breve segundo, nossos olhos se cruzaram. O olhar dele era impenetrável, mas havia algo ali... Me fez arrepiar. — Bom trabalho, garota. Acenei com um suspiro e um sorriso impressionado. Sair da sala de reuniões sentindo o peso de cada olhar nas minhas costas, mas a vibração do celular no meu bolso era o que realmente queimava. Eu precisava de ar. Precisava de água no rosto. Entrei no banheiro de mármore escuro do estúdio e me tranquei na última cabine. Respirei fundo, as mãos tremendo enquanto pegava o aparelho. A mensagem do Lobo aind
ELISE: A sala de reuniões da Vértice Concept cheirava a café caro e ambição. Nikos estava na cabeceira, a expressão de quem não dormiu um minuto sequer, mas ainda assim exalava um poder que preenchia cada canto do vidro fumê. Ao lado dele, Domenico revisava algumas fotos no tablet, também com olheiras discretas. — passei a noite inteira estudando como funciona esse aplicativo. O AURA não é mais um app, é um fenômeno. Nikos começou, a voz rouca e autoritária. — Quero aproveitar esse hype. Vamos criar uma campanha focada no anonimato. Homens mascarados, mulheres sensuais, sombras... O luxo do oculto. Isso vai atrair marcas de joias e perfumaria como imãs. Estava no canto da sala, servindo os espressos. Ouvi a proposta e, sem querer, um risinho baixo escapou dos meus lábios. Foi quase imperceptível, mas o silêncio da sala o amplificou. Nikos travou. Ele girou a cadeira devagar, os olhos fixos em mim. — Perdi alguma piada, Elise? O tom dele era frio, cortante. Sen
ELISE: O comando foi direto, sem hesitação. Senti meu rosto queimar. No escuro do quarto, eu me movi. Meus dedos tocaram a renda da calcinha de algodão frouxa, eu apostei para baixo, devagar, sentindo a pele e esfriar com o contato do ar. — Eu tirei... A calcinha. — Tirou? — Sim... Sussurrei nervosa. Tão nervosamente excitada. — Agora.... Ele continuou e a voz dele estava mais baixa, íntima. Tão absurdamente excitante. — Pega o vibrador. Meus dedos tocaram o plástico frio do brinquedo na gaveta da mesa de cabeceira. O motor emitiu um zumbido baixo quando eu o liguei. — Liguei... — Leva ao seu clitóris, Pimentinha. Não encosta. Só deixa ele vibrar perto. Deixa o calor subir. Eu obedeci. O zumbido parecia amplificado nos meus ouvidos. Senti um calor subir pelo meu corpo. — Ah.... — Isso, geme pra mim... Vou continuar de onde parei... Beijaria seu umbigo. Senti o calor subir por todo meu corpo, e uma pressão tão absurda entre minhas pernas. — Até





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