O carro avançava pela estrada molhada, os faróis cortando a escuridão enquanto a chuva engrossava a cada segundo.
O som dos pneus deslizando no asfalto molhado misturava-se ao ritmo acelerado da respiração de Camila — curta, irregular, cheia de dor.
Ricardo apertava o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Ele tentava manter o controle do carro, do coração e da realidade que parecia escorrer pelos dedos.
— Caio, vê no GPS! Cadê o hospital? — ele gritou.
Caio mexia freneticamente no celular, as mãos trêmulas.
— Tô tentando! A conexão tá caindo… essa chuva tá atrapalhando tudo!
No banco de trás, Camila se contorcia, o rosto pálido, as lágrimas escorrendo sem que ela tivesse tempo de enxugar.
— Ricardo… — ela disse, com a voz fraca. — Eu… eu não tô conseguindo respirar direito…
Ele olhou pelo retrovisor, o coração quase rompendo.
— Respira comigo, meu amor. Respira. Eu tô aqui, tá? Não olha pra dor, olha pra mim.
Mas ela não conseguia.
A dor vinha como ondas — fort