A madrugada parecia suspensa no ar. O chalé, tão silencioso horas atrás, agora respirava tensão por cada fresta de madeira.
No interior, Camila caminhava de um lado para o outro, tentando ignorar a pontada discreta que insistia em surgir no baixo-ventre. Não era forte, só incômoda — como uma lembrança de que o bebê carregava seu próprio tempo, indiferente ao mundo virado ao avesso ao redor deles.
Ricardo fechava a mochila com movimentos rápidos, concentrados demais para perceber o tremor leve nas mãos dela. Foi Caio quem notou.
— Camila… você está bem? — perguntou, franzindo o cenho.
Ela ajeitou o casaco, tentando disfarçar. — Só estou cansada. A noite foi longa.
Caio não acreditou, mas também não insistiu. Havia pressa demais, ameaças demais e pouco tempo para confrontos inúteis. Todos sabiam que Beatriz não ficaria quieta — e que alguém havia descoberto o esconderijo deles.
Do lado de fora, o vento sacudia as árvores. A escuridão parecia espessa, como se escondesse olhos em todos os