Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
Por: Priscila Ozilio
Capítulo 1: A Entrevista

Capítulo 1: A Entrevista

Laura

Eu apertava a alça da bolsa surrada com tanta força que meus dedos doíam. O elevador de vidro subia devagar pelo coração de Manhattan, e cada andar que passava revelava mais daquela cidade que eu só conhecia de longe: Nova York lá embaixo, um caos de táxis amarelos, pedestres apressados e luzes que nunca apagavam. Aqui em cima, tudo era diferente. Silencioso. Frio. Perfeito demais.

Respirei fundo, tentando acalmar o coração que batia como se quisesse fugir do peito.

“É só mais uma entrevista”, eu repetia para mim mesma.

Mas não era. Era a última cartada. As contas do hospital da minha mãe chegavam na semana que vem, quimioterapia, exames, remédios que custavam mais do que eu ganhava em meses. Nos Estados Unidos, sem um bom seguro, uma doença virava uma sentença financeira. Se eu não conseguisse esse emprego, não saberia mais o que fazer. Não tinha plano B.

As portas se abriram no último andar. Uma secretária elegante, de salto alto e sorriso ensaiado, já me esperava.

— Senhorita Mendes?

— Sim. Laura Mendes.

— Por aqui. O senhor Monteiro está aguardando.

Eu a segui pelo corredor largo, os passos ecoando no mármore polido. Passei por portas de vidro fosco com nomes de empresas que pareciam de outro planeta. No final do corredor, uma porta dupla de madeira escura. Ela bateu duas vezes e abriu.

Ele estava de costas para mim, olhando pela janela imensa que ocupava a parede inteira. Alto, ombros largos, terno preto impecável. Mesmo sem ver o rosto, senti o peso da presença dele. O ar parecia mais pesado, como se o oxigênio tivesse sido sugado.

Ele se virou devagar.

Olhos cinza-escuros, quase pretos. Queixo marcado, barba bem feita, expressão que não entregava nada. Nem um sorriso, nem raiva. Só... indiferença. Uma indiferença que doía mais do que desprezo.

— Sente-se — disse ele, voz grave e baixa, apontando para a cadeira em frente à mesa.

Eu obedeci, sentando na pontinha da cadeira, como se qualquer movimento maior pudesse me denunciar. Como se eu não pertencesse ali.

Ele não se sentou. Ficou de pé, apoiando as mãos na mesa, inclinando o corpo ligeiramente para frente. Era uma posição de quem manda, e ele sabia muito bem disso.

— Você leu o anúncio?

— Sim, senhor. Babá para uma criança de seis anos. Tempo integral, moradia inclusa.

— Exato. Meu filho, Enzo. Ele precisa de alguém… confiável. Alguém que fique.

A palavra “fique” saiu pesada, como se carregasse um peso que eu ainda não entendia. Não era só sobre o trabalho. Era sobre algo mais fundo, algo que doía nele.

— Por que você? — ele perguntou, sem rodeios. — Tem experiência com crianças?

Eu ergui o queixo. Não ia mentir. Não tinha mais tempo para isso.

— Não tenho diploma bonito nem curso de pedagogia, se é isso que o senhor quer saber. Mas criei minha irmã mais nova sozinha desde os treze anos. Minha mãe... — mordi os lábios. — Adoeceu. Eu sei o que é uma criança precisar de alguém que não desista. Sei o que é colo quando o mundo inteiro desaba.

Por um segundo, só um segundo. Algo atravessou aqueles olhos cinza. Uma rachadura minúscula no gelo. Mas sumiu tão rápido que eu duvidei de ter visto.

— Enzo não é uma criança comum — ele continuou, voz ainda mais baixa. — Ele… não fala muito. Não se apega fácil. Já tivemos cinco babás em três anos. Nenhuma durou mais de quatro meses.

Meu peito apertou. Cinco babás. Um menino de seis anos que já tinha sido abandonado cinco vezes.

— Eu não vou embora — eu disse, surpresa com a firmeza na minha própria voz. — Se o senhor me der a chance, eu fico. Pelo tempo que ele precisar.

Ele me encarou por longos segundos. Como se estivesse pesando cada palavra minha, cada respiração. Como se pudesse ver através de mim.

Então, ele se endireitou.

— Amanhã às oito. Você vai conhecer Enzo. Se ele aceitar você… o emprego é seu.

Ele estendeu a mão. O aperto foi breve, profissional. Mas quando nossos dedos se tocaram, senti um choque elétrico subir pelo braço. Rápido. Inesperado. Ele também sentiu, os dedos dele se contraíram por um instante antes de soltar.

— Não me decepcione, senhorita Mendes — disse ele, já se virando para a janela de novo. — Enzo não aguenta mais uma decepção.

Eu me levantei, o coração ainda disparado.

— Eu não vou decepcionar — respondi baixinho.

Mas enquanto saía da sala e apertava o botão do elevador, uma voz dentro de mim sussurrou, fria e insistente:

E se for ele quem me decepcionar?

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