Capítulo 10: O Momento que Eu Não Devia Ter Permitido RafaelEu fiquei parado ali, na sala principal, com os dedos ainda sob o queixo dela. A pele de Laura era macia, quente, viva de um jeito que eu não sentia há anos. Meu polegar roçou de leve a linha da mandíbula dela, quase sem querer, e o corpo inteiro dela reagiu: um tremor sutil, a respiração acelerando, os olhos castanhos dilatando enquanto me encaravam. Ela não recuou. Não desviou. Só ficou olhando para mim, como se esperasse que eu decidisse o próximo passo.E eu não sabia qual era.O relatório de Marcos queimava no bolso do meu paletó, ilegal, fugitiva de um pai abusivo, dívidas médicas que poderiam engolir qualquer pessoa, sem documentos, sem rede de segurança. Eu devia ter dito algo. Devia ter recuado, colocado distância, lembrado que ela era a babá do meu filho e que eu não tinha direito de tocar nela. Mas o corpo não obedecia à razão. A culpa que eu carregava desde o parto de Sofia, a culpa que me fazia trabalhar até o
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