Mundo de ficçãoIniciar sessãoSeparados pelo orgulho, unidos por um segredo. Ele me desprezou. Me humilhou. E, no auge do meu desespero, me obrigou a assinar o divórcio. Eu fugi… mas levei comigo um segredo. Um filho que ele nunca soube que existia. Anos depois, voltei mais forte. Não sou mais a esposa submissa que ele rejeitou. Sou uma mulher independente, determinada e com um herdeiro que carrego no sobrenome. Mas Gabriel Vasconcellos não é um homem que aceita perder. Quando ele descobre que eu escondi a maior verdade de sua vida, está disposto a tudo para me reconquistar — mesmo que precise implorar por um amor que ele mesmo destruiu. Separados pelo orgulho, unidos por um segredo. Entre orgulho, desejo e segredos, seremos obrigados a encarar a pergunta que pode mudar nossas vidas: Será que o amor sobrevive ao ódio, ou o ódio só existe porque ainda amamos?
Ler maisAcordei antes do sol nascer, como sempre. O silêncio do quarto era tão pesado quanto as paredes frias da mansão que me aprisionava. Ao meu lado, Gabriel permanecia imóvel, o corpo alto e másculo estendido sobre os lençóis brancos de linho, como uma estátua esculpida em mármore. A respiração dele era tranquila, ritmada, mas eu nunca a senti acolhedora. Era como se até dormir fosse para ele um ato de controle.
O maxilar definido, sempre tenso, não se suavizava nem em sonhos. Os cabelos pretos, curtos e disciplinados, emolduravam o rosto que tantas mulheres provavelmente chamariam de perfeito. E, de fato, Gabriel Vasconcellos era belo. Belo e intocável. Aqueles olhos verdes, quando abertos, tinham a frieza do gelo que nunca derrete, e foi essa frieza que moldou o meu casamento.
Virei o rosto, tentando afastar o nó que se formava na garganta. Passei os pés descalços pelo chão frio de mármore e me levantei. Puxei o robe de seda carmim sobre os ombros e me encarei no espelho da penteadeira. O reflexo me mostrou uma mulher que eu mal reconhecia.
Meus cabelos castanhos-escuros caíam em ondas até o meio das costas, mas já não tinham o mesmo brilho de antes. Minha pele clara, marcada pelas noites em claro, parecia quase translúcida à luz fraca que escapava pelas cortinas. Os olhos cor de mel, que já foram cheios de vida, agora carregavam a sombra de quem aprendeu a engolir lágrimas em silêncio. Eu era bonita, sim, mas não para ele. Não mais.
Naquela noite, uma festa de negócios nos aguardava. Vesti um vestido vermelho — ousado o suficiente para me fazer sentir viva, discreto o bastante para não ser acusada de provocar escândalos. Caminhei ao lado de Gabriel até o salão iluminado, mas foi como se tivéssemos chegado separados.
Ele usava um terno negro impecável, gravata ajustada, sapatos que refletiam a luz do lustre. Estava perfeito, como sempre, carregando em cada gesto a postura de um homem que sabia comandar o mundo. Todos os olhares se voltavam para ele, todos queriam cumprimentá-lo, ser vistos com ele. E eu… eu estava ali apenas como um detalhe borrado no fundo da cena.
Cumprimentos, risos, taças de champanhe tilintando. Eu observava enquanto Gabriel se inclinava para falar com investidores, trocava apertos de mão, encantava os convidados com sua eloquência. E, em momento algum, ele me puxou para perto. Em momento algum, pronunciou meu nome. Não disse “essa é minha esposa”. Não disse “essa é Isabella”.
Eu era uma sombra ao seu lado. Invisível.
Engoli a amargura em silêncio, tentando me convencer de que era apenas a pressa, apenas distração. Mas não era. Não podia ser. O jeito como ele evitava me reconhecer em público não era descuido. Era deliberado. Uma escolha calculada, assim como todas as escolhas que Gabriel Vasconcellos fazia.
E então, no meio daquele salão dourado, entre risos que não eram meus e olhares que nunca me pertenciam, uma certeza amarga se instalou no meu peito. Não era só frieza. Não era apenas orgulho.
Era segredo.
E, por um instante, eu tive a sensação de que meu casamento nunca tinha sido real — eu era apenas uma peça em algo muito maior que ele escondia de mim.
A sala de reuniões estava silenciosa quando Isabella entrou.O ambiente era amplo, rodeado por janelas de vidro que deixavam a luz da manhã invadir o espaço com intensidade. A mesa longa de madeira escura já estava ocupada por vários executivos, documentos organizados em pastas elegantes e tablets ligados aguardando o início da negociação.Era uma das reuniões mais importantes do projeto.O contrato entre as duas empresas avançava rápido demais para permitir erros.Isabella manteve a postura firme enquanto caminhava até sua cadeira. O tailleur escuro reforçava a imagem profissional que ela havia construído com tanto esforço.
O hospital ainda cheirava a desinfetante quando Isabella saiu da sala de exames com o filho no colo. A febre havia baixado um pouco após a medicação, e o menino agora parecia apenas cansado, os olhos pesados enquanto apoiava a cabeça no ombro dela.O corredor estava quase vazio naquela hora da manhã. Algumas enfermeiras caminhavam de um lado para o outro, e o som distante de aparelhos médicos ecoava suavemente pelo ambiente.Isabella respirou fundo.Tudo ficaria bem.O diagnóstico da médica fora tranquilizador: uma infecção intestinal leve. Alguns dias de descanso, medicamentos e cuidado seriam suficientes.Mesmo assim, o
A madrugada ainda estava escura quando o choro começou.Isabella despertou de um salto, o coração acelerado antes mesmo de compreender o motivo. O som vinha do quarto ao lado. Um choro baixo, cansado, diferente das birras ocasionais de uma criança.Era um choro de dor.Ela levantou imediatamente, os pés tocando o chão frio, e atravessou o corredor.— Amor? — sussurrou, abrindo a porta.O menino estava encolhido na cama, as bochechas vermelhas e os olhos úmidos. O pequeno corpo tremia sob o cobertor.Isabella aproximou-se rápido, sentando-se ao lado dele.— O que aconteceu?— Mamãe… — ele murmurou, com a voz fraca — minha barriga dói…Ela levou a mão à testa dele.Quente.Quente demais.Um frio percorreu sua espinha.— Está tudo bem, meu amor. — tentou manter a voz calma, mesmo sentindo o pânico crescer no peito — vamos cuidar disso agora.Ele tentou sorrir, mas o rosto se contraiu novamente.— Eu não gosto quando dói…Isabella o puxou para o colo, abraçando-o com cuidado. O pequeno co
A noite estava pesada sobre a cidade. As luzes da cobertura refletiam no vidro, misturando o brilho frio de São Paulo ao âmbar do uísque que girava lentamente no copo. Eu observava o líquido com a atenção de quem analisa um problema de milhões, mas o que me corroía não era o mercado — era algo muito mais antigo, muito mais profundo.O eco das palavras do menino ainda rondava minha mente.“Tio bonito.”Por mais que eu tentasse ignorar, a cena do parque voltava em detalhes: o sorriso dele, os olhos verdes idênticos aos meus, a forma como se agarrava à mãe.A Isabella.Sempre ela.A mulher que eu jurei esquecer e que agora reaparecia não apenas viva — mas vitoriosa.Sentei-me no sofá, apoiando o cotovelo no joelho, o copo entre os dedos.Três anos. Três anos acreditando que ela tinha desaparecido, que jamais voltaria a encarar o meu nome, o meu mundo. Três anos acreditando que ela dependia de mim — como todas as outras pessoas na minha vida.E, de repente, ela estava ali, de pé, poderosa
O sábado amanheceu com o cheiro de panquecas e o som leve do riso do meu filho pela cozinha.Ele usava um pijama azul-marinho coberto de pequenos foguetes, o cabelo escuro bagunçado, as bochechas rosadas pelo calor da frigideira. Eu o observava de longe, enquanto fingia ler relatórios sobre o novo contrato ou, talvez, apenas tentando não pensar no nome impresso naquelas folhas: Vasconcellos International Group.Os dias depois da reunião haviam sido um turbilhão. O sucesso da proposta havia me garantido prestígio, mas também algo que eu não queria: a atenção constante de Gabriel.Eram mensagens formais, convites para novas reuniões presenciais, ligações com pretextos técnicos.Ele não dizia nada fora do protocolo, mas a insistência nos olhares, o tom da voz e o tempo que permanecia em silêncio entre uma frase e outra denunciavam o que realmente estava acontecendo.Ele estava tentando se aproximar.E eu não podia permitir isso.— Mamãe! — A vozinha me arrancou dos pensamentos. — Posso p
O ar na sala de reuniões era denso, quase sólido. Cada palavra, cada gesto, cada olhar carregava peso.O relógio marcava nove da manhã, e as janelas panorâmicas deixavam a luz atravessar o ambiente com precisão cirúrgica, fria, limpa, impiedosa.Do outro lado da mesa, Gabriel estava sentado, cercado pelos sócios da Vasconcellos International. Vestia um terno cinza-escuro, gravata preta, o cabelo alinhado com a perfeição de sempre.O rosto dele era o mesmo que eu lembrava, mas os olhos… havia algo diferente ali. O olhar ainda era firme, controlador, mas agora existia algo novo: curiosidade.A primeira vez que o vi após o divórcio, anos atrás, ele me olhou como quem encara um erro. Hoje, me olhava como quem avalia uma ameaça.— Senhores — disse um dos diretores, rompendo o silêncio —, creio que todos conhecem a senhora Isabella Moretti, nova diretora de projetos internacionais da Global Trade Logistics.Cumprimentei com um leve aceno de cabeça.— É uma honra estar aqui para discutir uma





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