O quarto de hóspedes nunca tinha me parecido tão frio. Talvez fosse a mesma temperatura de sempre, mas a ausência de calor humano o tornava insuportável. As cortinas pesadas bloqueavam quase toda a luz da lua, e a escuridão deixava o ambiente ainda mais sufocante. O ar-condicionado soprava uma corrente gelada que atravessava minha pele como se não houvesse barreira entre o mundo e as minhas feridas. Fechei a porta por dentro, girando a chave devagar, como se aquele gesto simples fosse capaz de