O silêncio que se abateu sobre o quarto de motel era mais violento que qualquer tiroteio. As palavras de Gabriel — “O primeiro era eu” — pairavam no ar, tóxicas, mudando a própria composição da realidade de Lara. O homem à sua frente, seu salvador, era indistinguível do monstro que assombrava sua imaginação.
O choque inicial de Lara, que a deixara paralisada, começou a se transformar em algo mais quente e perigoso: uma fúria gelada. Ela se afastou dele, recuando até a parede oposta, como se o p