O silêncio daquela manhã não era paz.
Era cálculo.
Guilherme estava sentado à mesa do escritório, a camisa ainda aberta no primeiro botão, o celular virado para baixo como se pudesse morder. Eu sabia reconhecer aquele estado: não era raiva, nem tristeza. Era quando ele juntava os pedaços antes de decidir como seguir.
— Dois contratos suspensos — disse, sem me olhar. — Não cancelados. Suspensos.
“Até esclarecimentos.”
A frase vinha carregada de algo pior do que prejuízo: desconfiança.
Aproximei-me devagar, apoiei as mãos nos ombros dele. Não disse nada. Às vezes, palavra só atrapalha.
— Eles não querem se comprometer — continuou. — Ninguém quer ser o primeiro a ficar do lado errado da história.
Era assim que a mentira funcionava: não precisava convencer todos. Bastava plantar dúvida.
Eduardo chegou pouco depois, sem cumprimentos longos, direto ao ponto.
— O investigador avançou — disse. — Não em nomes ainda. Em padrão.
Sentou-se, abriu o notebook.
— Tudo que acontece segue o mesmo rote