A orientação do investigador foi simples — e suja.
— Se vocês quiserem o nome — disse ele, sem rodeios — vão ter que comprar.
Paulo não é movido por culpa. É por vantagem.
Eduardo cruzou os braços.
— Suborno.
— Negociação — corrigiu o homem. — Ele já vendeu tudo o que tinha para vender.
Agora só resta vender quem manda.
Guilherme ficou em silêncio por alguns segundos.
— Quanto?
O investigador foi direto:
— Meio milhão.
Dinheiro limpo.
Sem rastros.
O número não assustou.
O que assustou foi o que ele representava: até onde Paulo estava disposto a ir.
— E ele fala? — Guilherme perguntou.
— Fala. — respondeu. — Mas vai brincar antes.
As negociações duraram duas semanas.
Duas semanas de mensagens cifradas, exigências ridículas, mudanças de local, ameaças veladas.
Paulo queria segurança. Queria garantia. Queria controle até o último segundo.
No fim, escolheu o cenário como quem escolhe palco:
um restaurante discreto à beira-mar, frequentado por casais, música baixa, mesas afastadas.
— Ele q