Existem pessoas que confundem “amar” com “possuir”.
E, quando perdem o controle, escolhem a violência.
Naquela tarde, as crianças estavam na escola. A casa estava mais silenciosa do que o normal — Dona Mirtes cozinhava, Seu Sebastião cuidava das plantas, Guilherme estava no escritório com relatórios espalhados.
Eu precisei sair rapidinho — uma ida curta à farmácia do bairro.
Nada demais.
Ou assim eu pensei.
Voltei a pé, sacola pequena na mão, mente longe — até sentir aquela sensação antiga: o ar mudando, a nuca arrepiando.
— Olivia.
A voz veio atrás.
Rogério.
Eu virei — devagar.
— Eu já falei que acabou — disse, firme.
Ele se aproximou, insistente.
— Você me trocou. Por isso.
— Não troquei ninguém. Eu saí.
O olhar dele escureceu.
Um segundo. Foi rápido — e suficiente.
Ele me segurou pelo braço. Aperto duro. Dor seca.
— Você é minha.
— Não sou.
Tentei me soltar. Ele puxou mais forte.
— Você não vai ficar aqui, brincando de família que não é sua!
Foi quando eu gritei.
Não foi alto — foi