A fazenda ficava a duas horas da cidade, estrada que serpenteava entre morros e eucaliptos.
Guilherme decidiu numa quinta-feira:
— Preciso ir antes da colheita. Reunião com o administrador, revisar contratos. — Pausa. — E… eu não quero ficar longe das crianças. Nem de você.
Falou como quem confessa, mas com naturalidade.
Dona Mirtes apareceu com a lista na mão, chefe silenciosa da operação.
— Roupa quente de noite, leve de dia. Protetor, repelente, remédio pra febre, boné pras crianças, toalha extra — recitou. — E eu já liguei pra Marta e pro Zé lá da fazenda. Eles preparam tudo.
Seu Sebastião sorriu.
— A fazenda limpa a cabeça. A terra tem jeito de explicar a vida.
Eu precisava disso.
Todos precisávamos.
Saímos cedo no sábado. As crianças vibravam com qualquer coisa: ponte, vaca distante, caminhão grande.
No carro, havia um silêncio diferente — não pesado, só tranquilo.
Quando chegamos, a fazenda abriu em campo largo, cheiro de capim, galpões ao fundo, o casarão antigo com varanda gr