Há homens que não suportam perder.
Não porque amam — mas porque precisam controlar.
Rogério era um desses.
Eu já tinha apagado o número dele, bloqueado redes, mudado rota de ônibus.
Mas internet tem braços longos — e alguém resolveu colocar meu nome onde eu nunca quis estar.
Foi numa noite qualquer. As crianças dormiam. Guilherme revisava documentos com Eduardo na sala, Renata passando café e Dona Mirtes cortando bolo como quem participa de reunião silenciosa.
Meu celular vibrou.
Número desconhecido.
“Te reconheci na reportagem. Se acha melhor que eu agora?”
Meu estômago gelou.
Bloqueei.
Dois minutos depois, outra mensagem, perfil novo.
“Essa casa não é pra você, Olivia. Sai antes que te tirem.”
Senti as mãos suarem. Era a voz dele — mesmo sem áudio. A maneira de ameaçar sorrindo.
Fechei o celular e respirei fundo. Eu podia lidar. Eu já lidei antes.
Mas agora… eu não estava sozinha.
Na manhã seguinte, Paulo enviou outra notificação.
Eduardo colocou a folha sobre a mesa.
— Ele quer urg