A FESTA

Marcela realmente caprichou na festa. Tem um grande salão com uma pista LED colorida para a dança e a playlist é cheia de músicas pops, nostálgicas, que me fazem me sentir um pouco melhor no ambiente. Apesar do salão ser incrivelmente grande, consigo sentir os olhos de Eduardo sobre mim, consigo até adivinhar seus pensamentos, se torturando se deve falar comigo ou não. 

Ás duas vezes que ele tentou se aproximar e eu fugi para as colinas, deveriam ser uma dica de que ele não deve fazer isso, mas pela insistência em me encarar dúvido que ele tenha realmente se tocado. 

No entanto, decidi que não me importava mais com a sua presença. Estava eu aqui em uma ótima festa, com um ótimo buffet, presenciando a primeira dança do lindo casal que eu vi nascer com os meus próprios olhos. Meu fracasso amoroso não ia estragar esse momento. 

- Vocês estão lindos! Desejo toda a felicidade do mundo para os dois! - Digo assim que abraço Marcela e Davi, após eles dançarem algumas vezes. 

- Muito obrigada amiga! Estou realmente feliz por você ter vindo! 

- A cerimônia foi linda! - Eu minto. Me senti enjoada por boa parte da cerimônia, mas ela não tem nada a ver com isso. 

- Muito obrigada. - Seu olhar entrega que ela sabe que para mim, isso é um sacrificio. 

- Ana... - Marcela toma o ar, mas eu faço um não com a cabeça. 

- Por favor. - Eu peço. - Não advogue por ele aqui. 

Ela assente. 

Como eu disse, ela é uma grande amiga de Eduardo, mas ela não tem esse direito. Não vai ultrapassar esse limite. 

Eu bebo algumas bebidas no bar elaborado que eles montaram, que é um belo bar, diga-se de passagem. Uns coquitéis aqui, uns coquitéis lá... Lucas está se perdendo na pista de dança como se não existisse amanhã e eu o adoro por ser feliz e espalhafatoso no mesmo espaço em que tantas pessoas não gostam dele. O observo por alguns instantes enquanto me empolgo com a sua dança. Me recordo de quando costumávamos dançar e se divertir em festas assim, em todas as oportunidades. Nos últimos tempos a vida realmente foi sugada do meu corpo de alguma forma inexplicável pois nem ve-lo feliz assim, me anima para tal evento. 

- Uau. Se não é Ana Paula Gobetti em pessoa. - Só a voz me causa um arrepio. 

Quando o encaro, uma nostalgia estranha percorre por meu cérebro e tenho um alívio subito, de me ver livre de toda a sensação que estava a poucos minutos. 

- E eu achei que não teria mais pessoas desagradáveis para ver. - Comento com um sorrisinho sarcástico. 

Ele solta uma risada. 

- Sempre amável. - Ele comenta com aquele tom de irônia que sempre me perturbou. - Não esperava a ver por aqui hoje. 

E ali eu encarava meu ex-chefe. Ricardo Napoli. O homem que eu odiei por muito tempo, briguei, esperniei, sabotei e quis que explodisse bem na minha frente. 

Nada como alguém que me causou tantos sentimentos terríveis para me tirar de um mar com sentimentos ainda piores. 

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