Mundo de ficçãoIniciar sessãoSinto um frio na barriga ao estacionarmos em um tipo de Hotel de Luxo que fica no centro de São Paulo. Um hotel com a letra H no começo, não é um motel, como imaginei que poderia ser. Olho de relance para ele, enquanto Ricardo estaciona e me pergunto o que esse lugar é para ele, mas não questiono e nem falo nada.
Quando ele finalmente para o carro, me lança um olhar cheio de expectativa, que não tenho certeza se vou atender. Estou na frente de um homem que eu sei que é bem experiente, sexualmente falando, e eu transei com a mesma pessoa pelos últimos oito anos. É um grande evento esse o de agora.
Ricardo sai do carro e vem em direção para abrir a porta. Cavalheiro, assim como eu sempre soube que ele era com as suas conquistas. Jesus! Eu sou uma conquista de Ricardo? Ou eu que estou o conquistando? Se contar pelas tantas vezes que quase gorfei quando ele estava perto de tanta irritação, não sei como poderia ficar a equação que soma eu e ele e qual seria o resultado.
O encaro com certa expectativa também. Não preciso pedir para que ele faça tudo sumir porque a situação é tão irreal que todos os meus problemas já desapareceram.
Ele pega a minha mão e entrelaça seus dedos no meu, como se eu fosse um relacionamento sério. Sinto frio na barriga avassalador. Não achei que isso aconteceria tão cedo e não pensei que ele poderia causar tanto efeito sobre o meu estômago, mas aparentemente estava enganada.
Tomo fôlego para falar algo, talvez que deva ir embora, mas ao mesmo tempo me calo. Não sei se devo ir embora, os meus sentidos gritam mais para descobrir o que essa noite me reserva do que qualquer outra coisa.
Ele aperta o botão do elevador e assim que entramos, clica no botão que vai para o Térreo.
- Conhece aqui já? - Pergunto de maneira estúpida.
E ele me lança o olhar. Aquele olhar que costumava lançar quando eu me fazia de boba para alguma coisa. Eu adorava provocar esse olhar, tirar ele do eixo. Ainda adoro, mas com outra perspectiva.
- Sou um dos sócios do Hotel.
- Rico. - Respondo debochando.
Ele dá risada.
- Quer me esperar aqui? - Pergunta assim que o elevador se abre e a sala de espera grande está bem a frente.
Assinto.
Ricardo vai em direção a recepcionista e não demora muito para pegar a chave. Não emite pagamentos e pelo visto não mostra nenhum documento. Ele deve ser mesmo sócio desse prédio, não que eu tivesse motivos para duvidar.
Quando o vejo vir em minha direção, me levanto do sofá e vejo meu reflexo em um espelho. Fico surpresa. E o choque me vem com tudo.
É a primeira vez na noite que reconheço que estou bonita. Não apenas bonita, estou deslumbrante. Com um longo vestido de cetim dourado que marca meu corpo nos lugares certos e com um penteado caseiro e maquiagem que me arrumariam um emprego interessante se eu me aplicasse em um salão mais amador. Estou fenomenal.
O senhor advogado sempre teve uma queda injustificada por mim e imagino que o grande evento não é apenas meu.
É um grande evento para ele também.
E com essa confiança eu sorrio para ele de canto e agarro a sua mão quando ele chega mais perto para entrarmos no elevador novamente.







