A DANÇA

Ricardo me oferece a sua mão e fico ligeiramente constrangida, por estar tão desconcertada, mas estendo a minha mão e sinto o seu toque pela primeira vez em anos, e nunca, de forma tão íntima. Me levanto e percebo que tem muitos olhos em cima de nós dois. E tenho certeza que metade de quem está nesse recinto não poderia imaginar essa cena, nunca, não com a nossa bagagem. 

Quem poderia imaginar que um dia eu ia preferir dançar 'Cowboy like me' com Ricardo, do que estar a metros de distância de Eduardo? É quase como se fosse uma piada. 

Ficamos de frente um para o outro e ele agarra minha mão enquanto aproxima meu corpo e posiciona sua mão esquerda nas minhas costas. É quase imperceptível mas observo meu corpo relaxar aos poucos. 

- Joaquim gosta de um show. - Ele diz brevemente, alto o suficiente para eu ouvir. 

- Ele gosta de você. - Comento, lembrando de todas as vezes que o grande CEO da empresa, bajulava, mimava e adorava Ricardo. - Costumava me dar nos nervos. 

Ricardo ri e assente. 

- Ele gosta de você também. Sempre gostou. 

Assinto também. Não é um grande segredo. 

- Ele está se divertindo com isso. - Observo, mas não tenho coragem de o procurar para ver, não quero ver os olhos de mais ninguém, então apenas encaro Ricardo. 

Ele tem grandes olhos verdes que são quase insuportáveis de encarar. São olhos atraentes, bonitos e incomparáveis. Não posso dar exemplos de olhos parecidos, porque nunca vi olhos tão verdes assim. E ele tem o cabelo castanho escuro bem cortado, como o belo engomado que é. É o homem mais irritante que eu já conheci e provavelmente um dos mais bonitos. No passado, essa era uma coisa a nunca se admitir porque antes da beleza, ele vinha com todo o pacote tóxico do ambiente coorporativo. Hoje, é a primeira vez que admito para mim mesma, o quanto ele é bonito. 

E acho que tudo bem se isso causar um arrepio sobre a minha espinha enquanto a sua mão aperta a minha cintura e me conduz numa das minhas músicas favoritas de todos os tempos. 

- Aquilo foi estranho. - Lucas me fala após se sentar na nossa mesa enquanto eu como os quitutes do buffet. 

- Nem me fale. Joaquim é impossível. - Respondo reclamando. 

- Não. Toda essa tensão sexual entre você e Ricardo a noite toda. Foi estranho. 

Franzo o cenho tentando calcular o que ele acabou de dizer. 

- Não houve tensão sexual nenhuma entre a gente, não viaja! 

- Bom, se tem uma coisa que existiu entre vocês duas durante todas as vezes que foi exigido o mínimo de interação... é tensão sexual. Mas dessa vez está óbvio. Você deu mole para ele hoje! 

Viro o olho e dou risada. 

- Ele me distraiu. - Confesso - Conversar com alguém que você já odiou no passado mas não tem mais motivos para odiar agora foi bem melhor do que ter medo de encontrar com alguém que você despreza atualmente. 

Lucas engoliu o seco e me encarou. 

- Ele não tira os olhos de você, sabe? - Lucas fez um gesto com a cabeça e automaticamente eu segui o seu olhar, mesmo que soubesse que não era para ter feito. 

Meus olhos cruzaram com o de Eduardo. Esse homem que eu já amei intensamente, que quis prezar pela sua vida, que cuidei, beijei, me apaixonei e o quis para sempre. Por alguns segundos não consigo desviar, até lembrar do nome 'Chiara' ecoando pela minha mente. Viro o rosto bruscamente e brigo comigo mesmo por ter o encarado por tanto tempo. 

- Ele não tirou o olho por um segundo enquanto você dançava com Ricardo. Parecia estar morrendo de raiva. 

Assinto um pouco fria. 

- Espero que tenha ficado de coração partido. - E respondo em comunhão com o que estava sentindo. 

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