Mundo de ficçãoIniciar sessãoLucas me puxou rapidamente e fomos para a direção contrária de Eduardo, assim que ele percebeu o que estava acontecendo. Eu honestamente esperava que Eduardo tivesse o bom senso de não querer conversar aqui, no casamento da nossa amiga. Sei que nossas últimas conversas não foram agradáveis e sei que ele insiste em 'conversarmos com calma' porque minhas decisões foram tomadas com conversas chorosas, gritos e frases decepcionadas e emocionais, mas não é o momento de conversar com calma aqui. Aliás, acho que essa conversa nunca vai acontecer.
Já se passaram três meses e eu aceitei que sou uma mulher divorciada. Já até entrei em contato com uma advogada para dar inicio no processo. Não temos mais o que conversar.
Dito isso, seguimos buscando dois assentos para nos sentar e observar a cerimônia. Encontramos amigos antigos da Prisma Brasil, que amenizaram o clima, apesar de todos saberem que estou recém separada do queridinho da empresa. Claro que isso poderia ser considerado um fracasso, mas acredito que todos apostavam em algo do tipo, lembro como ficaram pasmos na época em que ele resolveu assumir um relacionamento sério, como ele era intocável, como esse tinha sido um grande feito. Como eu tinha mudado o curso que o Universo seguia.
E agora eu encarava os olhares piedosos que queriam dizer 'Bem, você tentou. Tem uns homens que simplesmente não tem conserto'. E talvez fosse verdade.
Quando me acomodei na cadeira, estava meio catatônica de toda aquela a situação, ao ponto de nem querer que passasse rápido, apenas avulsa e aérea. Uma cerimônia de casamento. Fui a tantas nos últimos anos, amei a todas, dancei e me diverti e revivi os votos. Agora estou apenas neutralizada como se estivesse sobre efeito da anestesia geral.
Pelo menos ver Eduardo novamente não me causava nada, a não ser a lembrança de que houve uma perda. Algo se foi, uma parte de mim morreu, eu vivia um luto por aquela mulher que sentia tanto, que ria tanto, que tinha uma rotina e uma casa, a perspectiva de um lar. Eu sentia um luto absolutamente intenso, ao mesmo tempo que não deixava dominar meus ossos, meu corpo, minhas pulsações.
- Ela está atrasada. - Lucas anuncia um pouco impaciente. - Acho cerimônias tão longas, não vejo nem um pouco de romance nesse blá blá bla.
Solto uma risada de leve.
- Você é a pessoa menos romântica que conheço. - Digo constatando um fato.
- Tio Carlos discorda. - Me espanto quando ele menciona o nome de Tio de Eduardo, mas relevo com uma risada.
- Deve ser bem romântico conseguir destruir dois casamentos com um caso mesmo. - Alfineto.
- Touché.
E então deito sobre o seu ombro e penso no caos que foi essa situação. Lucas se envolveu com o tio que Eduardo idolatrava, mas que era casado com João Lucas. Eu descobri antes de Eduardo e dei o benefício da dúvida para Lucas fazer a coisa certa, o que demorou para ele ter coragem de fazer e quando vi... era uma bola de neve grande e Eduardo descobriu antes que eu pudesse contar. Ele ficou decepcionado com o tio e viu o relacionamento deles ruir aos poucos.
Mas ele ficou mais decepcionado com ele, por ter escolhido o segredo do meu amigo. Talvez eu tenha errado nisso, mesmo que as minhas intenções tenham sido boas. Depois disso, algo se quebrou na nossa relação e ele cometeu o erro catastrófico que implodiu todo o nosso relacionamento.
E agora eu estava pronta para assistir uma cerimônia com os mesmos votos que um dia eu proclamei a pessoa que eu espero nunca mais poder ficar sozinha no mesmo espaço.







