O SALÃO SEM SOL

Quando a diplomacia se transforma em detonador

DR. CARVALHO BORGES

Paris à meia-noite é fria, mas o Hôtel de Crillon estava fervendo por dentro. Esse salão privado não foi montado para jantar; foi montado para medir egos.

Cheguei com Leonardo, André e Ravi. Ele já não precisava mais da máscara de Lorenzo — todo mundo ali sabia que era Leonardo. André de terno alinhado, mas com a tensão de quem não dorme direito. Eu? Eu estava ali para ler a sujeira — cada gesto, cada mentira, cada silêncio.

Amaro chegou logo depois, braço dado a uma loira de olhos azuis que eu já sabia quem era: Noêmia, sua enfermeira. Ao lado dele, postura rígida, olhos atentos.

A porta abriu. Vittório entrou como dono do tempo: terno italiano, o anel com as serpentes brilhando. E a filha logo atrás — Isabella, grávida, a barriga evidente. O salão inteiro respirou pesado.

As formalidades foram o verniz do que viria. Trocaram-se frases sobre “continuidade” e “linhas de comando”, bobagens para solenizar a lâmina. Vittó
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