Quando a confiança precisa ser testada
AMARO CASSANI
O quarto respirava um silêncio moroso, interrompido só pelo tique-taque esquecido do relógio na escrivaninha. A batida na porta quebrou o ar pesado.
Noêmia, sentada ao meu lado, ergueu a cabeça do caderno onde marcava horários e dosagens.
— Você está bem? Posso abrir a porta? — perguntou.
Olhei para ela e não resisti à ironia:
— Você está se referindo à minha ereção?
Ela riu de leve, sem perder a compostura.
— Isso.
— Sim. — suspirei. — Pode