O telefone tocou no meio da tarde. Era meu pai.
A voz dele, grave e controlada, me chamou para jantar. Não pude evitar um arrepio — havia anos que os jantares com Bezerra deixavam um gosto metálico na boca.
— Tudo bem, pai. Estarei aí. — Respondi, tentando manter a voz neutra.
Ao chegar, fui recebido com aquele sorriso de sempre, cheio de cordialidade estudada. A casa impecável, o cheiro de comida caseira e um terno caro que parecia pesar mais do que o normal. Ele me abraçou, e por um instan