Já haviam se passado alguns dias desde que recebi alta do hospital.
Com os remédios que o Dr. Eduardo havia prescrito, eu estava conseguindo retomar uma rotina quase normal — ainda com alguns enjoos, mas nada que me paralisasse. Afinal, eu ainda tinha um propósito: passar no vestibular da USP. Faltar à escola era uma missão inegociável.
Naquele final de semana, haveria uma festa na casa de Lara. Ela era o tipo de pessoa que sempre encontrava um motivo para celebrar — o aniversário de alguém, o fim de uma prova, ou simplesmente um sábado qualquet.
Eu estava sentada na cama, lendo algumas anotações das aulas de Sociologia, quando minha mãe entrou no quarto.
— Filha, por que você ainda está de pijama? — perguntou, cruzando os braços.
— Porque não vou, mãe. Ainda estou meio cansada… e também, não tô muito no clima de festa.
— Isabela — ela disse, com aquele tom que misturava doçura e firmeza — você passou dias dentro de um hospital. Está reagindo bem aos remédios, e seu médico mesmo