~Narrado por Arthur~
O relógio marcava quase dez da noite quando percebi que estava há horas encarando o teto de madeira com desenhos esculpidos à mão.
O quarto, amplo e sofisticado, cheirava a madeira polida e ao perfume caro da casa — um casarão antigo, de linhas retas e janelas que davam para um jardim perfeitamente simétrico.
Era a típica residência dos Vilela: luxuosa, fria e silenciosa.
O tipo de silêncio que pesa.
Já havia se passado algumas semanas, e cada vez que o celular vibrava, eu esperava que fosse ela, Isabela — mesmo sabendo que não teria o número, já que meus pais fizeram questão de trocar meu chip.
E eu não podia mandar mensagens, ligar, nem procurá-la.
Meus pais foram claros:
Eles continuariam garantindo o melhor tratamento médico, acesso a medicamentos e toda a estrutura possível que ela precisasse, tudo com sigilo, desde que eu me mantivesse longe.
Bastava uma mensagem, uma ligação, e tudo seria cortado.
Eu aceitei, porque a ideia de vê-la sofrer ainda mais era in