~Narrado por Arthur~
Eu ainda sentia o perfume dela quando entrei em casa naquela manhã. A lembrança da noite anterior com Isabela ainda latejava em mim — o toque dela, o olhar doce, o jeito como estava arrepiada, sua pele quente, o quanto tudo foi puro.
Mas bastou atravessar o hall para sentir o ar denso.
Meus pais estavam à mesa do café, e o clima era pesado. O jornal dobrado, o silêncio absoluto. Meu pai levantou o olhar.
— Arthur… sente-se — disse ele, com a calma que sempre precedia a tempestade.
Sentei. Minha mãe, elegante e fria, com as mãos sobre a mesa.
— Quer nos explicar o que significa isso? — perguntou, empurrando o tablet na minha direção.
Na tela, havia uma foto: eu, saindo da casa de campo com Isa.
Meu estômago travou.
— Onde você conseguiu isso?
— Não importa. — A voz dela era gélida. — O que importa é que você levou uma… bolsista para a nossa casa de campo.
Engoli em seco.
— Ela é mais do que isso.
Meu pai bateu a mão na mesa, firme.
— Arthur! Você tem ideia do que e