Miguel
A manhã parece normal até que não é.
Estou no escritório, tentando revisar documentos, mas sem conseguir focar. Helena foi embora, suspeita da gravidez de Bárbara. Não respondeu minhas mensagens. E o mal-estar de ontem ainda dança nas bordas da minha mente como um vulto.
Algo está errado.
Eu sinto.
Eu sei.
E então as portas do corredor se abrem com um estrondo.
— Polícia! — alguém grita.
Meu coração para.
Três agentes entram na sala, acompanhados por Bárbara, pálida, que tenta explicar alguma coisa com a voz falhando.
— O que é isso? O que está acontecendo? — pergunto, levantando imediatamente.
Um dos policiais exibe um documento.
— Doutor Miguel, precisamos que nos acompanhe. Sua esposa, Helena Carvalho, desapareceu há aproximadamente duas horas. Temos razões para crer que se trata de um sequestro.
A palavra cai sobre mim como uma bomba.
Desapareceu.
Helena.
Minha Helena.
— Não… não… não… — sinto as palavras rasgarem minha garganta. — O que vocês estão dizendo? Ela… ela saiu p