Desirée
A notificação chega como um tiro.
Localização compartilhada por Helena em tempo real.
Eu estava pintando, tentando manter a mente quieta, quando o celular vibrou. E no instante em que vejo o ponto vermelho se mover rápido e depois… parar… algo dentro de mim rasga.
Helena nunca envia localização sem aviso.
Nunca.
Meu coração dispara tão forte que quase me derruba.
— Não… não… não… — murmuro, já correndo pelo apartamento.
Pego a jaqueta, as chaves da moto, o celular quase cai da minha mão. O condomínio sequer vê meu rosto quando atravesso o saguão. Em segundos estou na rua, montada na moto, acelerando como se o asfalto fosse se romper se eu demorasse mais um segundo.
A localização aponta para uma rua afastada, perto de um galpão antigo, zona quase industrial.
Nada ali é seguro.
— Aguenta, Helena… — sussurro, com a garganta travada.
O vento corta meu rosto, mas não sinto nada. Só o medo.
Um medo que eu nunca senti na vida.
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Quando viro a esquina final, avisto o carro dela.
Par