Miguel
A campainha toca.
Três vezes.
Secas.
Firmes.
Autoritárias.
Meu coração dá um salto tão forte que quase escuto o estalo dentro do peito. Não sei por quê, mas a primeira coisa que penso é:
Helena voltou.
Helena voltou pra mim, ela sempre volta.
Mas logo em seguida vem um som surdo. Várias vozes. Uma frase ecoando pelo corredor, abafada, mas reconhecível.
— Polícia. Abra a porta.
Polícia.
Polícia.
Polícia.
A palavra se repete na minha cabeça como se alguém estivesse batendo uma marreta no m