Helena
Acordo com um solavanco seco. Ou, talvez, eu não tenha realmente dormido. Aqui dentro o tempo não existe, só esse cheiro úmido de cimento, o frio que atravessa a pele, a luz fraca que entra pela fresta da porta de ferro. Minha cabeça pesa como se tivesse sido mergulhada em água gelada. Meu corpo dói inteiro.
Estou deitada no chão, com os pulsos amarrados na frente do corpo. A venda foi retirada há horas, mas isso não trouxe alívio algum. Apenas permitiu que eu encarasse a parede suja e rachada que me cerca. Nada mais.
O silêncio é tão absoluto que chega a ser cruel.
E é nesse silêncio que o medo gosta de falar.
Respiro fundo, tentando controlar a onda de pânico que insiste em subir.
Eu não posso perder a sanidade aqui dentro.
Penso em Miguel.
Penso se ele…
Não. Não. Eu me recuso a acreditar que ele tenha feito isso. Eu estava com tanta certeza de que ainda estava encenando bem, de que ele não havia percebido. Mas se ele soube? Se ele descobriu o dossiê? Se ele soube da minha ap