O dia seguinte começou com um tipo raro de entusiasmo contido. Não havia euforia, nem ansiedade. Havia expectativa serena, aquela que nasce quando a vida deixa de ser ameaça e passa a ser possibilidade.
Júlia acordou com o celular vibrando ao lado da cama. Uma notificação simples, quase banal, mas que fez o coração dela bater diferente: a confirmação de inscrição no curso que tinha escrito no caderno no dia anterior. Um passo pequeno, mas concreto. Um passo só dela.
Ela sorriu antes mesmo de se levantar.
Daniel ainda dormia, o braço jogado por cima do travesseiro vazio onde ela costumava estar quando acordava antes. Júlia ficou alguns segundos observando-o, percebendo como o amor também tinha mudado de forma. Antes, ela precisava olhar para ter certeza de que alguém ficaria. Agora, ela olhava por escolha.
Foi até a cozinha e preparou o café, como vinha se tornando hábito. Mas, dessa vez, havia algo novo em cada gesto: intenção. Não para agradar. Para viver.
Quando Daniel apareceu, boc