O celular vibrou em cima da mesa no meio da tarde.
Ignorei na primeira vez. Estava concentrado demais para dar atenção a mensagens pessoais. Contratos, números, decisões objetivas. Tudo seguia sob controle. Pessoas nunca entram nessa equação com facilidade.
A vibração veio de novo.
Patrícia.
Peguei o aparelho e desbloqueei a tela.
Patrícia:
Sexta você vai desaparecer outra vez?
Tô com saudade.
Encostei as costas na cadeira. Já sabia onde aquela conversa ia dar.
Eu:
Sexta não dá.
Tenho um compromisso importante.
A resposta veio rápido.
Patrícia:
Importante quanto?
Trabalho ou aqueles eventos chatos que você odeia?
Soltei um suspiro curto.
Eu:
Evento.
Daqueles tediosos.
Máscaras, discursos longos, gente influente fingindo importância.
Vou por conveniência.
Houve uma pausa. Patrícia sempre usava o silêncio como parte da conversa.
Então veio o pedido.
Patrícia:
Então eu vou com você.
Como acompanhante.
Meu maxilar travou por um instante