Eu reconheci o assunto antes mesmo de ouvir a palavra completa.
Estava passando pelo corredor quando a voz do meu pai atravessou a porta fechada do escritório. Firme. Segura. Do tipo que não admite interrupções.
— Sim, estarei lá — ele disse. — É um evento importante. Não dá para ignorar.
Reduzi o passo. Depois parei.
— Não, não vou chegar atrasado. Essas coisas exigem presença. Aparência. Relações.
Evento.
A palavra ficou ecoando.
Aproximei-me devagar, como se meus pés tivessem decidido sozinhos. Não encostei na porta. Não precisava. A voz dele era clara o suficiente.
— Máscaras, sim — continuou. — Bebidas, convidados selecionados, famílias que precisam ser vistas. Faz parte do jogo.
Meu peito apertou.
Ele falava como se fosse natural. Como se aquilo fosse um mundo ao qual eu não pertencesse — mesmo sendo filha dele.
— Não — disse, logo em seguida, em tom cortante. — Ela não vai.
Ela.
Eu.
Meu impulso foi imediato. Abri a porta antes que pudesse pensar melho