Cheguei em casa ainda com o cabelo bagunçado, cheiro de borracha queimada e o coração acelerado. A adrenalina da pista ainda corria em minhas veias, mas a realidade começou a me alcançar a cada passo pelo corredor, silenciosa e pesada.
— Camila! Que bagunça é essa? Você está descabelada! — reclamou minha mãe, os olhos percorrendo meu corpo como se medisse cada fio fora do lugar. — E você sabe muito bem que não pode aparecer assim.
Apertei os lábios, sentindo o peso da cobrança. Aquela perfeição que ela exigia… a imagem impecável que eu nunca consegui abraçar… era sufocante.
— Lembre-se, Camila: a beleza é a única coisa que uma mulher tem a oferecer. Se não houver perfeição aqui fora, não haverá nada para mostrar.
Engoli em seco, sentindo um aperto no peito. Cada comentário sobre beleza me lembrava de que, naquele mundo, nada do que eu sentisse ou pensasse importava tanto quanto a forma como eu aparecia para os outros.
A pista ainda queimava em minhas memórias — o cheiro de bo