Mundo de ficçãoIniciar sessãoEnquanto tenta encontrar seu lugar em uma família de bilionários, Luana desperta a curiosidade de Matheus Vasconcelos, o noivo da sua irmã. Acostumado a ter tudo o que deseja, ele se vê intrigado pela única mulher que não se impressiona com sua fortuna, seu sobrenome ou seu poder.
Ler maisCapítulo 1
passei dezessete anos construindo a minha própria vida. Não era uma vida perfeita. O apartamento era pequeno, o dinheiro vivia contado e, muitas vezes, eu precisava escolher entre comprar alguma coisa que queria ou pagar uma conta que não podia esperar. Mas era minha. Cada conquista tinha sido fruto do meu esforço. Cada cicatriz carregava uma história, e cada sorriso tinha sido conquistado sem depender de ninguém. Então um exame de DNA apareceu para destruir todas as certezas que eu tinha. Descobri que havia sido sequestrada ainda bebê. Descobri que as pessoas que me criaram nunca foram meus pais biológicos. Descobri também que existia uma família que passou dezessete anos procurando por mim. E, de repente, eu tinha um sobrenome, uma mansão e uma fortuna. Engraçado... Ninguém perguntou se eu queria aquilo. O carro parou diante de um enorme portão de ferro. Atrás dele havia uma propriedade que parecia não ter fim. Jardins impecáveis, fontes espalhadas pelo caminho, árvores perfeitamente alinhadas e, ao fundo, uma mansão branca que parecia ter saído de um filme. Observei tudo em silêncio. Era bonita. Muito bonita. Mas continuava sendo apenas uma casa. Dinheiro nunca me impressionou. O que realmente me interessava nas pessoas não podia ser comprado. Minha mãe biológica segurou minha mão. Ela respirava fundo, tentando controlar a emoção. Mãe: — Você não precisa ficar nervosa. Olhei para ela e sorri de leve. Luana: — Eu não estou nervosa. Ela pareceu surpresa. Mãe: — Então o que está sentindo? Voltei a olhar para a mansão. Luana: — Curiosidade. Era verdade. Eu não estava entrando ali para ganhar uma família, dinheiro ou uma nova vida. Só queria descobrir de onde tinha vindo. O resto... Eu construiria sozinha. O portão começou a se abrir. Não parecia apenas uma entrada. Naquele momento, tive a sensação de que estava diante do começo de uma história que eu não havia escolhido viver. Assim que descemos do carro, a porta principal da mansão se abriu. Uma jovem saiu apressada. Loira, elegante e linda. O sorriso parecia sincero enquanto descia os degraus quase correndo. Quando parou diante de mim, seus olhos estavam marejados. Sem dizer uma palavra, ela me abraçou. Fiquei imóvel durante alguns segundos antes de finalmente retribuir. Ela respirou fundo ao se afastar. Camila: — Finalmente... A voz falhou. Camila: — Eu esperei tanto por esse dia. Sorri educadamente. Ainda era estranho chamar aquela mulher de irmã. Ela segurou minhas mãos. Camila: — Você é ainda mais bonita do que imaginei. Olhei diretamente para seus olhos. Foi então que percebi algo. Enquanto o sorriso transmitia carinho, os olhos me estudavam, como se tentassem descobrir quem eu era ou, talvez, quanto perigo eu representava. Foi apenas um instante. Logo ela voltou a sorrir. Talvez eu estivesse imaginando coisas. Talvez não. Camila: — Vem. Todo mundo quer conhecer você. Subimos a escadaria. Antes de entrar na mansão, senti alguém me observando. Levantei os olhos. Um homem estava parado próximo à porta, com as mãos nos bolsos e uma postura aparentemente relaxada. Havia alguma coisa nele que chamava atenção. Não era apenas beleza. Era presença. Enquanto todos demonstravam emoção, ele permanecia em silêncio, observando como alguém acostumado a analisar tudo antes de agir. Camila percebeu para onde eu olhava e sorriu. Camila: — Luana... este é o Matheus. Meu noivo. Ele caminhou até nós sem pressa. Não havia arrogância em seus movimentos, tampouco aquele sorriso ensaiado que eu já tinha visto em tantos homens. Estendi a mão. Luana: — Prazer. Ele segurou minha mão. O aperto foi firme e respeitoso, enquanto seus olhos permaneceram presos aos meus por alguns segundos, como se tentasse encontrar alguma resposta. Matheus: — O prazer é meu. Foi só isso. Nenhum elogio. Nenhuma cantada. Nenhuma tentativa de me impressionar. Gostei disso. Soltei sua mão primeiro e continuei andando. Não percebi que ele permaneceu parado, me observando. Entrei na mansão sem olhar para trás. Naquele momento, eu tinha apenas uma certeza. Não importava o tamanho daquela casa ou quanto dinheiro aquela família tivesse. Nada daquilo mudaria quem eu era. Eu não precisava de um sobrenome para descobrir meu valor, muito menos de um homem para decidir meu futuro. Se eu fosse construir alguma coisa dali em diante, seria com as minhas próprias mãos. Porque ninguém... Nunca... Conduziria a minha vida por mim.Capítulo 38 Ponto de vista: Luana O problema de encontrar alguém que você tentou esquecer é que o corpo reconhece a presença antes mesmo da cabeça conseguir reagir, e foi exatamente isso que aconteceu quando Matheus parou diante de nós. Eu sabia que ele estaria naquele baile, afinal, aquele mundo ainda fazia parte da vida dele, mas uma coisa era saber e outra completamente diferente era encontrá-lo a poucos passos de distância. Camila permanecia ao meu lado, imóvel, enquanto Arthur ainda esperava minha resposta sobre a dança. Arthur: — Então, vai aceitar? Olhei para ele, mas minha atenção continuava presa à presença de Matheus. Luana: — Talvez depois. Arthur acompanhou meu olhar e finalmente percebeu quem estava atrás dele. Arthur: — Ah. Ele sorriu de canto, como se tivesse acabado de entender alguma coisa. Arthur: — Entendi. Luana: — Entendeu o quê? Arthur: — Nada. Revirei os olhos. Luana: — Você é péssimo mentindo. Arthur: — E você é péssima fingindo que não ficou ner
Capítulo 37 Ponto de vista: Luana O dia do baile chegou mais rápido do que eu esperava, e desde cedo a mansão parecia estar se preparando para uma guerra disfarçada de festa elegante. Funcionários entravam e saíam carregando caixas, minha mãe recebia ligações a cada poucos minutos e meu pai discutia detalhes do evento com alguém no escritório, enquanto eu tentava tomar meu café em paz. Eu ainda não conseguia entender completamente por que Camila queria tanto que eu estivesse naquela noite ao lado dela, principalmente depois de tudo que havia acontecido entre nós. Desde o término do noivado, ela estava diferente comigo. Não havia mais discussões, mas também não existia a proximidade que começávamos a construir antes de Matheus desaparecer da nossa rotina. Talvez ela ainda estivesse magoada. Talvez precisasse de tempo. Ou talvez aquele convite tivesse algum outro motivo que eu ainda não conseguia enxergar. Subi para o quarto depois do café e encontrei o vestido escolhido por Cami
Capítulo 36 Ponto de vista: Luana Passei o restante da tarde tentando entender por que Camila havia decidido me convidar para aquele baile. Depois de tudo o que acontecera entre nós, não fazia sentido ela querer minha companhia justamente em um evento onde estariam todas as pessoas importantes daquele círculo social. Talvez fosse uma tentativa de aproximação, talvez ela realmente precisasse de alguém ao lado dela, ou talvez existisse alguma coisa que eu ainda não sabia. Quando cheguei em casa, encontrei minha mãe esperando por mim na sala. Sobre a mesa havia algumas caixas grandes, todas perfeitamente embrulhadas, e ao lado delas estavam algumas revistas de moda abertas em páginas marcadas. Luana: — O que é tudo isso? Minha mãe sorriu. Mãe: — Sua irmã escolheu algumas opções para você usar no baile. Franzi a testa. Luana: — Camila escolheu? Mãe: — Sim. Aquela resposta me deixou ainda mais desconfiada. Luana: — Ela não poderia simplesmente falar comigo? Minha mãe suspirou.
Capítulo 35 Ponto de vista: Luana Naquela manhã, acordei com a sensação estranha de que alguma coisa havia mudado dentro da mansão. Desde o jantar em que Matheus terminou o noivado, todos pareciam andar com cuidado pelos corredores, como se qualquer palavra pudesse provocar uma nova explosão. Eu não sabia exatamente como ajudar Camila, porque ela mal olhava para mim desde aquela noite, e quanto mais eu tentava me aproximar, mais ela parecia levantar uma parede entre nós. Desci para o café tentando agir normalmente, mas encontrei apenas meus pais à mesa. Minha mãe mexia distraidamente na xícara enquanto meu pai lia alguns documentos. Assim que me viu, levantou os olhos e sorriu, embora eu percebesse o cansaço em seu rosto. Mãe: — Bom dia, meu amor. Dormiu bem? Luana: — Dormi. E vocês? Ela trocou um olhar rápido com meu pai antes de responder. Mãe: — Estamos bem. Sentei-me e comecei a preparar meu café, mas não consegui ficar em silêncio por muito tempo. Havia uma pergunta presa
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