Elena Moreau
O corredor do hospital cheirava a antisséptico e a pressa. Luzes frias rasgavam o silêncio como navalhas, e cada passo meu ecoava com uma impertinência que me lembrava o quanto eu era pequena diante da violência que havia invadido nossas vidas. Fiquei parada à beira da janela da sala de espera, com as mãos entrelaçadas na frente do corpo, tentando alinhar pensamentos que não paravam de fugir entre si. As vozes distantes — enfermeiros apressados, o bip ritmado de alguma máquina — co