Mundo de ficçãoIniciar sessãoNos bastidores do futebol de elite brasileiro, onde os contratos valem milhões e os segredos custam carreiras, quatro homens constroem as mesmas muralhas com materiais diferentes. Quatro jogadores. Quatro histórias que ninguém viu dentro de campo. Christian Barbosa, o Camisa 10 da Seleção Brasileira, lesiona o joelho e encontra a mulher que muda tudo. Daniel Guimarães, o capitão invicto, carrega há quinze anos um segredo pesado demais pra caber dentro do próprio peito. Diego Santos, o meia irreverente que nunca levou nada a sério, encontra a única mulher que virou as costas pra ele antes de ele terminar de falar. Leo Silva, a joia de dezenove anos recém-chegada ao elenco principal, descobre que o único passe que importa é o que exige coragem de receber. Dentro do Real Clube e da Seleção Brasileira, o que acontece fora do campo é mais intenso, mais real e mais perigoso do que qualquer clássico ou final de Copa do Mundo. "Além dos Contratos - Clube dos Intocáveis" é uma série sobre o que acontece quando a pessoa certa aparece com a habilidade exata de tocar justamente no lugar onde a armadura está mais fina. E sobre a diferença entre não poder ser derrubado em campo — e decidir cair, fora dele, porque finalmente vale a pena. Livro 1: A Lesão Que Nos Uniu (Christian) Livro 2: Impedimento no Armário: Fora de Jogo (Daniel) Lgbt Livro 3: O Furo de Reportagem É Ela (Diego) Livro 4: O Dono do Passe - Contrato Exclusivo Com Ele (Leo) Lgbt
Ler mais(POV Thiago)Daniel marca consulta pela agenda oficial, alegando um desconforto vago na lombar depois do treino de sexta. Leio o pedido duas vezes, tentando decidir se é queixa real ou desculpa disfarçada — com ele, nunca dá pra ter certeza total.Fevereiro chegou trazendo calor pesado e uma rotina mais intensa de pré-temporada, e eu passei a semana inteira tentando manter distância prudente depois da conversa séria que tivemos sobre limite profissional. A prudência dura, aparentemente, até a próxima consulta marcada.Ele entra no consultório depois do fim do treino e quando eu já devia não estar mais fazendo atendiemnto, quando o CT já esvazia e o corredor lá fora perde o movimento de sempre. Fecho a porta atrás dele por hábito clínico, não por cálculo nenhum ainda.— Oi Daniel.— Thiago.— Onde exatamente dói? — pergunto, apontando pra maca, o tom mais profissional que consigo reunir depois da conversa tensa de dias atrás sobre o sono ruim dele.— Aqui embaixo, mais ou menos — ele i
(POV Daniel)Acordo com o coração disparado, o lençol grudado no corpo suado, a respiração entrecortada de quem acabou de correr sem sair do lugar. Três da manhã, marcador do celular confirmando o horário exato de sempre.Sempre três da manhã. Nunca duas, nunca quatro — como se o próprio corpo já tivesse decorado o horário exato de acordar apavorado, um relógio interno cruel que se recusa a mudar de rotina há anos.O pesadelo é sempre o mesmo, variando só nos detalhes pequenos, nunca no núcleo que realmente importa. Dessa vez era uma coletiva de imprensa lotada, câmeras piscando, e alguém — nunca vejo o rosto — gritando uma pergunta que expõe tudo de uma vez, sem chance de defesa, sem chance de explicação.No sonho, minha mãe tá na plateia, o rosto se transformando devagar de orgulho pra decepção, e eu não consigo mover um músculo sequer pra correr até ela e explicar que aquilo não muda quem eu sempre fui.Sento na cama, encaro o quarto escuro, tentando separar o que é real do que ain
(POV Thiago)Fico até tarde no CT terminando relatório atrasado, o prédio inteiro já vazio àquela hora, só a luz do meu consultório acesa entre tantas salas escuras. Quando finalmente desço pra garagem, encontro Daniel sozinho, carregando uma bolsa de equipamento pesada demais pra um homem cansado carregar sem ajuda.— Precisa de ajuda? — pergunto, me aproximando, a voz ecoando estranho no concreto vazio.— Aceito — ele responde, aliviado, entregando metade do peso sem hesitar.Carregamos juntos até o carro dele, no fundo da garagem quase deserta, só duas ou três luzes fluorescentes ainda acesas iluminando o espaço enorme e silencioso.— O que você tá fazendo aqui tão tarde? — pergunto, apoiando a bolsa no chão perto do carro.— Separando material pra levar amanhã pro treino de reforço. Achei que ninguém mais estivesse aqui — ele admite, um pouco sem jeito, como se tivesse sido flagrado fazendo algo além da própria conta.— Eu também achei que era só eu — comento, e os dois sorrimos c
(POV Daniel)O treino coletivo de sexta-feira costuma ser mais leve, ritmo de quem já garantiu a parte pesada da semana e só afina detalhe antes do jogo de domingo. Leo, na ponta esquerda, parece não ter recebido esse memorando.O sol de janeiro castiga o gramado da Granja Comary, e mesmo com o calor forte demais pra qualquer intensidade de sexta-feira, o garoto corre atrás de cada bola como se fosse a última oportunidade da própria carreira inteira.Ele arranca sozinho lá pelos vinte minutos de bola rolando, driblando um zagueiro reserva com uma facilidade que faz o resto do time parar de brincadeira pra prestar atenção de verdade.— Vai, Leo! Vai! — grito, do meio-campo, sentindo o próprio corpo se inclinar pra frente só de ver o garoto correr daquele jeito.Ele corta pro meio, ajeita o corpo, e bate cruzado no ângulo com uma categoria que ninguém de dezenove anos deveria ter tão cedo assim na carreira.O gol explode o campo inteiro numa gritaria só, e eu já tô correndo antes mesmo





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